UNIUBE - Universidade de Uberaba (MG) — Prova 2017
Mariana, 19 anos, hígida e sem patologias de base, chega ao consultório e pede ao médico que deseja fazer um eletro do coração. Refere dor no peito, abafamento, falta de ar e começa a chorar. Numa consulta anterior, já havia sido encaminhada para avaliação psicológica, a que a mesma se recusou. Qual a forma mais adequada de manifestação do médico para a condução da entrevista, neste caso?
Abordagem de queixas somáticas: validar sofrimento, ampliar escuta, investigar contexto de vida.
Em pacientes com queixas somáticas e recusa de avaliação psicológica, a abordagem mais adequada é a escuta ativa e empática, buscando entender o paciente em seu contexto de vida. Isso ajuda a construir confiança, validar o sofrimento e, eventualmente, abrir caminho para a aceitação de um tratamento mais abrangente.
A somatização é um fenômeno comum na prática médica, onde o sofrimento emocional se manifesta através de sintomas físicos. Pacientes com queixas somáticas frequentemente buscam ajuda médica para seus sintomas físicos, e podem resistir a abordagens psicológicas, seja por estigma, falta de compreensão ou por realmente sentirem que seus sintomas são puramente orgânicos. A fisiopatologia da somatização envolve a interação complexa entre mente e corpo, onde o estresse, a ansiedade e outros fatores psicossociais podem modular a percepção da dor e outros sintomas físicos. O diagnóstico diferencial é crucial, exigindo uma investigação clínica completa para descartar causas orgânicas antes de focar na dimensão psicossocial.
A escuta ativa é crucial para validar o sofrimento do paciente, construir uma relação de confiança e permitir que ele expresse suas preocupações de forma mais completa, facilitando a compreensão do contexto psicossocial que pode estar influenciando os sintomas.
Rotular a queixa como 'apenas psicológica' pode fazer o paciente se sentir desvalorizado ou não acreditado, gerando resistência e dificultando a adesão a qualquer encaminhamento para saúde mental. É importante primeiro descartar causas orgânicas e abordar o sofrimento de forma integral.
Essa frase demonstra interesse genuíno no paciente como um todo, não apenas nos sintomas. Ela abre espaço para que o paciente compartilhe aspectos de sua vida que podem estar contribuindo para as queixas somáticas, fortalecendo o vínculo terapêutico e a confiança.
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