HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2026
Gestante com 34 semanas, apresentando à avaliação ultrassonográfica presença de oligoidrâmnia moderada e centralização fetal. Qual o diagnóstico mais provável para o caso?
Oligodramnia + Centralização fetal = Sofrimento Fetal Crônico (Insuficiência Placentária).
O sofrimento fetal crônico é a resposta adaptativa do feto à hipóxia persistente, manifestando-se por redistribuição hemodinâmica (centralização) e redução do volume de líquido amniótico.
O sofrimento fetal crônico é frequentemente o estágio final de uma insuficiência placentária crônica, muito associada a patologias vasculares maternas como a pré-eclâmpsia e a hipertensão arterial crônica. A redução da oferta de oxigênio e nutrientes obriga o feto a priorizar o fluxo sanguíneo para o sistema nervoso central, fenômeno conhecido como 'brain sparing effect' ou centralização. A avaliação diagnóstica baseia-se na ultrassonografia com Doppler, que analisa a resistência vascular nos compartimentos materno (artérias uterinas), placentário (artéria umbilical) e fetal (artéria cerebral média e ducto venoso). A presença de oligodramnia associada a alterações de fluxo indica que os mecanismos compensatórios estão sendo exauridos, exigindo vigilância rigorosa ou interrupção da gestação, dependendo da idade gestacional e da gravidade dos achados.
A centralização fetal é um mecanismo de defesa onde o feto redistribui o fluxo sanguíneo para órgãos nobres (cérebro, coração e adrenais) em detrimento de órgãos periféricos. No Doppler, isso é identificado pelo aumento da resistência na artéria umbilical (refletindo a placenta) e redução da resistência na artéria cerebral média (vasodilatação cerebral). A relação cérebro-placentária menor que 1 confirma o achado.
A oligodramnia (redução do líquido amniótico) no contexto de insuficiência placentária ocorre devido ao desvio do fluxo sanguíneo dos rins fetais para o cérebro e coração. Com a menor perfusão renal, há uma diminuição da produção de urina fetal, que é o principal componente do líquido amniótico no terceiro trimestre. É um sinal de hipóxia crônica instalada.
O sofrimento fetal agudo é uma injúria súbita, geralmente durante o trabalho de parto (ex: descolamento de placenta ou compressão de cordão), manifestando-se por alterações imediatas na cardiotocografia. O sofrimento fetal crônico é uma condição progressiva decorrente de má função placentária (comum na pré-eclâmpsia), levando a alterações no crescimento e no Doppler ao longo de semanas.
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