Sofrimento Fetal Agudo: Conduta com Fórcipe no Parto

IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente em trabalho de parto, G2P1, está com 5 contrações em 10 minutos, dilatação completa, no plano +4 de DeLee, com bolsa rota e variedade de posição occipitoesquerda anterior. Foi detectada bradicardia fetal (<100bpm), mesmo após cessada a contração, associada à eliminação de mecônio espesso. A conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) ultimar o parto com o auxílio de fórcipe
  2. B) realizar cesárea imediatamente
  3. C) ultimar o parto com manobra de Kristeller
  4. D) aguardar a ocorrência do parto espontâneo

Pérola Clínica

Bradicardia fetal persistente + mecônio espesso + dilatação completa + feto baixo → fórcipe para abreviar parto.

Resumo-Chave

A bradicardia fetal persistente (<100bpm) após contração, associada a mecônio espesso, é um sinal de sofrimento fetal agudo. Com dilatação completa e feto em plano baixo (+4 de DeLee), a conduta mais adequada é a resolução rápida do parto por via vaginal, utilizando o fórcipe para abreviar o período expulsivo e minimizar a exposição fetal à hipóxia.

Contexto Educacional

O trabalho de parto é um processo fisiológico, mas pode ser complicado por intercorrências que exigem intervenção rápida para garantir a segurança materno-fetal. O sofrimento fetal agudo é uma emergência obstétrica caracterizada por sinais de comprometimento da oxigenação fetal, como bradicardia persistente (<100 bpm) e presença de mecônio espesso. A bradicardia persistente, especialmente após o término da contração, indica uma hipóxia fetal significativa e a necessidade de resolução imediata do parto. Nesse cenário, com dilatação completa e o feto em plano baixo (+4 de DeLee), a via de parto vaginal instrumentalizado com fórcipe é a conduta mais adequada. O fórcipe permite a abreviação do período expulsivo, minimizando o tempo de exposição do feto à hipóxia e reduzindo os riscos de sequelas neurológicas. A variedade de posição occipitoesquerda anterior (OEA) é uma posição favorável para o parto vaginal, facilitando a aplicação do fórcipe. É crucial que o residente saiba identificar os sinais de sofrimento fetal e as indicações para o uso de fórcipe, bem como as contraindicações para outras condutas. A manobra de Kristeller, por exemplo, é contraindicada devido aos riscos maternos e fetais. A cesárea seria uma opção se o feto não estivesse em plano tão baixo ou se houvesse contraindicação ao parto vaginal instrumentalizado. A decisão rápida e correta é fundamental para o bom prognóstico materno-fetal.

Perguntas Frequentes

Quando a bradicardia fetal é considerada um sinal de sofrimento fetal agudo?

A bradicardia fetal é preocupante quando a frequência cardíaca fetal (FCF) é persistentemente inferior a 100 bpm, especialmente se não se recuperar após as contrações uterinas, indicando hipóxia fetal e sofrimento agudo.

Quais são as indicações para o uso de fórcipe no trabalho de parto?

O fórcipe é indicado para abreviar o segundo estágio do trabalho de parto em casos de sofrimento fetal agudo, exaustão materna, doenças maternas que contraindiquem o esforço expulsivo prolongado, ou quando há necessidade de rotação da cabeça fetal, desde que o feto esteja em plano baixo e a dilatação seja completa.

Qual a importância do mecônio espesso no trabalho de parto?

O mecônio espesso, especialmente quando associado a alterações da FCF, é um sinal de alerta para sofrimento fetal. Ele pode indicar hipóxia fetal e aumenta o risco de Síndrome de Aspiração Meconial (SAM), exigindo monitoramento rigoroso e, por vezes, intervenção para acelerar o parto.

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