UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020
Parturiente, 22 anos de idade, 40 semanas de gestação, encontra-se no período expulsivo do parto há 40 minutos. O feto encontra-se em OET, plano +2 de De Lee, batimento cardíaco fetal em 80 bpm há 2 minutos. Qual é a conduta mais adequada?
Bradicardia fetal (80 bpm) no expulsivo → Decúbito lateral esquerdo + cardiotocografia contínua para reverter sofrimento fetal.
A bradicardia fetal persistente (80 bpm por 2 minutos) no período expulsivo indica sofrimento fetal agudo. A primeira conduta é tentar reverter a hipóxia fetal com medidas simples como o decúbito lateral esquerdo (para otimizar o fluxo útero-placentário) e monitorização contínua, antes de considerar intervenções mais invasivas.
O período expulsivo do parto é uma fase crítica, onde a monitorização fetal contínua é essencial para identificar sinais de sofrimento. A bradicardia fetal, definida como frequência cardíaca fetal (FCF) abaixo de 110 bpm (ou 100 bpm em algumas diretrizes) por mais de 10 minutos, ou uma queda abrupta e sustentada para valores como 80 bpm, é um sinal de alarme que indica hipóxia fetal. A fisiopatologia da bradicardia pode estar relacionada à compressão do cordão umbilical, insuficiência útero-placentária ou compressão da cabeça fetal. A posição OET (occipito-esquerda transversa) e o plano +2 de De Lee indicam que o feto está bem encaixado, mas a bradicardia sugere uma intercorrência aguda. A conduta inicial visa otimizar a oxigenação fetal. O decúbito lateral esquerdo é uma manobra simples que pode melhorar o fluxo sanguíneo para o útero e a placenta. A cardiotocografia contínua permite avaliar a resposta fetal a essas intervenções. Somente se as medidas conservadoras falharem ou se houver deterioração do quadro, deve-se considerar a ultimação do parto por via instrumental (fórceps ou vácuo) ou cesariana, dependendo da paridade, da dilatação cervical e da experiência do obstetra.
Os sinais incluem alterações na frequência cardíaca fetal (bradicardia persistente, desacelerações tardias ou prolongadas), diminuição da variabilidade e, em casos mais avançados, presença de mecônio no líquido amniótico.
O decúbito lateral esquerdo ajuda a aliviar a compressão da veia cava inferior e da aorta pelo útero gravídico, melhorando o retorno venoso materno e, consequentemente, o fluxo sanguíneo útero-placentário e a oxigenação fetal.
A ultimação do parto deve ser considerada se as medidas conservadoras (decúbito, oxigênio, hidratação) não reverterem a bradicardia ou se houver piora do padrão da frequência cardíaca fetal, indicando sofrimento fetal persistente e grave.
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