Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2021
Pré-escolar, 4 anos de idade, previamente hígido comparece à consulta de rotina na unidade básica de saúde. Nega queixas ou comorbidades. Apresenta caderneta de vacinação atualizada e desenvolvimento adequado para a idade. Quanto à alimentação, consta o seguinte diário alimentar: 9h (café da manhã): leite de vaca integral com achocolatado, pão de forma com manteiga. 12h (almoço): arroz, feijão, batata, carne ou frango, suco ''de caixinha''. 15h (lanche da tarde): iogurte industrializado, bolacha recheada. 18h Gantar): pizza ou hambúrguer congelados, pão com mortadela. Chocolates de sobremesa. 22h (ceia): 1 copo de leite de vaca integral com achocolatado. Peso: 21,2kg (entre Z score O e +2); altura: 105cm (entre Z score O e +2); IMC: 19,2 kg/m2 (entre Z score +2 e +3). Restante do exame físico sem alterações. Em relação ao caso indique o diagnóstico nutricional da criança e a orientação alimentar apropriada, considerando a classificação da NOVA proposta pelo Guia Alimentar para a População Brasileira publicado em 2014.
IMC Z-score +2 a +3 em crianças = Sobrepeso; priorizar redução de ultraprocessados conforme NOVA.
O diagnóstico de sobrepeso em crianças é feito quando o IMC Z-score está entre +2 e +3. A classificação NOVA do Guia Alimentar para a População Brasileira enfatiza a redução de alimentos ultraprocessados, que são ricos em açúcares, gorduras e sódio, e pobres em nutrientes.
O sobrepeso e a obesidade infantil representam um grave problema de saúde pública global, com prevalência crescente e associações com diversas comorbidades na infância e vida adulta, como diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemias. O diagnóstico precoce e a intervenção nutricional são fundamentais para reverter essa tendência e promover um desenvolvimento saudável. A classificação NOVA, proposta pelo Guia Alimentar para a População Brasileira de 2014, categoriza os alimentos em quatro grupos: in natura ou minimamente processados; ingredientes culinários processados; alimentos processados; e alimentos ultraprocessados. Esta classificação é crucial para a educação nutricional, pois destaca o impacto negativo dos ultraprocessados, que são formulados para serem altamente palatáveis e convenientes, mas são nutricionalmente desequilibrados e contribuem para o ganho de peso e doenças crônicas. A orientação alimentar apropriada para crianças com sobrepeso deve focar na redução drástica do consumo de alimentos ultraprocessados, substituindo-os por alimentos in natura e minimamente processados. Isso implica em incentivar o consumo de frutas, vegetais, leguminosas, cereais integrais e proteínas magras, além de promover a culinária doméstica. A intervenção deve ser familiar, envolvendo pais e cuidadores, e considerar aspectos culturais e socioeconômicos para garantir a adesão e o sucesso a longo prazo.
O diagnóstico é realizado utilizando o Índice de Massa Corporal (IMC) para idade e sexo, expresso em Z-scores. Sobrepeso corresponde a um Z-score entre +2 e +3, enquanto obesidade é um Z-score acima de +3.
Alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas com cinco ou mais ingredientes, incluindo substâncias aditivas (corantes, aromatizantes, emulsificantes) e ingredientes extraídos de alimentos (óleos, açúcares, proteínas isoladas), com pouca ou nenhuma comida integral.
O Guia recomenda basear a alimentação em alimentos in natura ou minimamente processados, usar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades, e evitar alimentos ultraprocessados, além de comer com regularidade e atenção.
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