UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
A partir da figura sobre a incidência e a mortalidade por câncer de tireoide na Coréia do Sul entre 1999-2015, publicada em FLETCHER, analisar os itens abaixo:I. O aumento do acesso à ultrassonografia na Coréia do Sul não contribuiu para o aumento da incidência de câncer de tireoide naquele país.II. O processo que leva à detecção precoce de câncer por meio de um exame de rastreamento e que não traz benefício clínico para o paciente é chamado de sobrediagnóstico.III. O desafio no rastreamento é diferenciar as lesões iniciais que causarão morbimortalidade daquelas que permanecerão sem relevância clínica ao longo da vida. Está(ão) CORRETO(S):
Sobrediagnóstico = detecção precoce sem benefício clínico, desafio no rastreamento de cânceres de tireoide.
O sobrediagnóstico ocorre quando exames de rastreamento detectam doenças que nunca causariam sintomas ou morte, como frequentemente visto no câncer de tireoide devido ao uso excessivo de ultrassonografia, elevando a incidência sem alterar a mortalidade.
O sobrediagnóstico é um fenômeno crítico na medicina moderna, especialmente em oncologia, onde a detecção precoce nem sempre se traduz em benefício clínico. No câncer de tireoide, o aumento da incidência observado em países como a Coréia do Sul é amplamente atribuído ao uso disseminado da ultrassonografia, que detecta microcarcinomas papilíferos indolentes. Este cenário eleva a incidência sem impactar significativamente a mortalidade, indicando que muitos desses cânceres não teriam relevância clínica ao longo da vida do paciente. A fisiopatologia do câncer de tireoide, particularmente o papilífero, frequentemente envolve um curso indolente. O diagnóstico é feito por biópsia de nódulos detectados, muitas vezes incidentalmente. A suspeita de sobrediagnóstico surge quando a taxa de incidência aumenta drasticamente sem uma redução proporcional na mortalidade, sugerindo que estamos tratando lesões que não causariam morbimortalidade. O tratamento do câncer de tireoide varia de observação ativa para microcarcinomas de baixo risco a tireoidectomia e iodoterapia para casos mais agressivos. O prognóstico é geralmente excelente. O ponto de atenção é a importância de uma avaliação criteriosa antes de intervir, considerando os riscos e benefícios do tratamento versus a observação ativa, para evitar o sobrediagnóstico e o sobretratamento, que podem gerar ansiedade, complicações cirúrgicas e custos desnecessários.
É a detecção de uma doença que, se não fosse rastreada, nunca causaria sintomas ou morte ao paciente durante sua vida, levando a tratamentos desnecessários.
O aumento do acesso e uso da ultrassonografia leva à detecção de pequenos nódulos e microcarcinomas que, em sua maioria, são indolentes e não progrediriam clinicamente, elevando artificialmente a incidência sem alterar a mortalidade.
O principal desafio é diferenciar os cânceres que são clinicamente significativos e que necessitam de tratamento daqueles que representam sobrediagnóstico e não trarão benefício com a intervenção, evitando o sobretratamento.
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