FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024
Márcia, de 45 anos de idade, hígida e sem antecedentes familiares relevantes, foi à UBS para consulta com seu médico de família e comunidade. Ela alega querer fazer um ultrassom de tireoide, pois sua amiga de apenas trinta anos de idade passou na ginecologista, pediu um check‑up completo e, no ultrassom de tireoide, foi identificado um nódulo muito pequeno. Depois de realizada a biópsia, o laudo apontou microcarcinoma papilífero. A ginecologista disse que, devido ao câncer ter sido descoberto em um estágio bastante inicial, seria mais fácil efetuar o tratamento com a retirada da tireoide.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta a ser adotada.
Rastreamento de rotina para câncer de tireoide em assintomáticos → NÃO recomendado devido a sobrediagnóstico/sobretratamento.
O rastreamento de rotina para câncer de tireoide em pacientes assintomáticos não é recomendado pelas diretrizes atuais, pois leva a um alto índice de sobrediagnóstico e sobretratamento de lesões indolentes, como o microcarcinoma papilífero, sem benefício comprovado na mortalidade. A conduta correta é a educação em saúde.
O caso de Márcia ilustra um dilema comum na atenção primária: a solicitação de exames de rastreamento sem indicação clínica. O câncer de tireoide, especialmente o microcarcinoma papilífero (lesões < 1 cm), tem uma prevalência alta na população geral, mas a maioria dessas lesões é indolente, ou seja, não progride para causar morbidade ou mortalidade. O rastreamento indiscriminado com ultrassom de tireoide em pacientes assintomáticos, como no caso da amiga de Márcia, leva a um fenômeno conhecido como sobrediagnóstico. O sobrediagnóstico ocorre quando uma doença é detectada, mas nunca teria causado sintomas ou morte ao paciente durante sua vida. Consequentemente, o tratamento dessas lesões indolentes, chamado de sobretratamento, expõe os pacientes a riscos desnecessários de cirurgia (lesão de nervo laríngeo recorrente, hipoparatireoidismo) e terapias adjuvantes, sem um benefício claro na sobrevida. As diretrizes atuais de sociedades médicas e de saúde pública não recomendam o rastreamento universal para câncer de tireoide em indivíduos assintomáticos. A melhor conduta para o médico de família e comunidade é negar o pedido de exame, aproveitando a oportunidade para realizar educação em saúde. É fundamental explicar a Márcia os conceitos de sobrediagnóstico e sobretratamento, tranquilizá-la sobre a ausência de indicação para o exame em seu caso e reforçar a importância de uma abordagem baseada em evidências, que prioriza a saúde e evita intervenções desnecessárias.
O rastreamento de rotina em indivíduos assintomáticos não é recomendado porque leva a um alto índice de sobrediagnóstico de microcarcinomas papilíferos indolentes, que muitas vezes não progridem ou causam sintomas, resultando em sobretratamento com cirurgias e terapias desnecessárias.
Sobrediagnóstico ocorre quando um câncer, como um microcarcinoma papilífero de tireoide, é detectado, mas nunca causaria sintomas ou morte durante a vida do paciente. Isso leva a tratamentos desnecessários e seus riscos associados.
O sobretratamento pode incluir tireoidectomia total ou parcial, com riscos de complicações cirúrgicas (lesão de nervo laríngeo, hipoparatireoidismo) e necessidade de reposição hormonal vitalícia, sem benefício comprovado na sobrevida para lesões indolentes.
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