Causa de Hipertensão Persistente na Doença Renal Crônica

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Menina, 9 anos de idade, em diálise há 2 anos por doença renal crônica de etiologia indeterminada, com redução do volume urinário residual, apresenta hipertensão arterial sistêmica persistente, mesmo com o uso de medicamentos anti-hipertensivos. Qual é a causa mais provável da HAS desta paciente?

Alternativas

  1. A) Excesso de catecolaminas.
  2. B) Hipertensão renovascular.
  3. C) Hiperaldosteronismo.
  4. D) Sobrecarga de volume.

Pérola Clínica

HAS em paciente em diálise com anúria/oligúria → Sobrecarga de volume (causa #1).

Resumo-Chave

Na Doença Renal Crônica terminal, a incapacidade de excretar sódio e água torna a hipervolemia o principal motor da hipertensão, superando mecanismos hormonais.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é quase universal em pacientes pediátricos com DRC terminal. Embora o sistema renina-angiotensina-aldosterona e a atividade simpática contribuam, a expansão do volume extracelular é o fator patogênico central. Em crianças em diálise há longo tempo e com baixa diurese, o controle rigoroso do ganho de peso interdialítico é essencial. O tratamento envolve não apenas anti-hipertensivos, mas principalmente a adequação da prescrição dialítica para atingir o peso seco ideal. A persistência da HAS apesar de múltiplos fármacos deve sempre levantar a suspeita de que o paciente está 'úmido', necessitando de maior ultrafiltração ou restrição hídrica e salina mais severa.

Perguntas Frequentes

Por que a sobrecarga de volume causa hipertensão na DRC?

Na Doença Renal Crônica (DRC) avançada, especialmente em pacientes com redução do volume urinário residual (oligúria ou anúria), o rim perde a capacidade de manter o balanço de sódio e água. O acúmulo de fluidos aumenta o volume circulante e o débito cardíaco, o que eleva a pressão arterial. Além disso, a distensão volêmica pode desencadear mecanismos de resistência vascular periférica aumentada, perpetuando o quadro hipertensivo.

Como diferenciar hipertensão volume-dependente de renina-dependente?

A hipertensão volume-dependente geralmente responde à remoção de fluidos durante a diálise (ultrafiltração) e à redução do 'peso seco'. Se a pressão arterial normaliza ou cai significativamente após a sessão dialítica, a causa é predominantemente volêmica. A hipertensão renina-dependente é mais comum em casos de isquemia renal ou certas nefropatias parenquimatosas e pode persistir mesmo após a normalização da volemia, exigindo bloqueadores do sistema renina-angiotensina.

Qual a importância do volume urinário residual na HAS do dialítico?

O volume urinário residual é um marcador de função renal preservada e facilita muito o controle pressórico e nutricional. Pacientes que ainda urinam conseguem eliminar parte do sódio e da água ingeridos, reduzindo a dependência exclusiva da máquina de diálise para o controle da volemia. Quando esse volume cai, o risco de hipertensão refratária e complicações cardiovasculares, como hipertrofia ventricular esquerda, aumenta drasticamente.

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