TACO: Diagnóstico e Manejo da Sobrecarga Volêmica Transfusional

UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 80 anos, diabético, hipertenso e portador de insuficiência renal crônica, com hemoglobina 7,0 g/dl, evolui durante a transfusão da 2ª unidade de concentrado de hemácias com hipertensão arterial, taquicardia, dispneia e hipoxemia (Saturação: 80%). Das reações transfusionais abaixo, a mais provável para justificar o quadro clínico é:

Alternativas

  1. A) Reação hemolítica aguda.
  2. B) Contaminação bacteriana.
  3. C) Sobrecarga volêmica.
  4. D) TRALI (insuficiência pulmonar aguda associada à transfusão.
  5. E) Reação anafilática.

Pérola Clínica

Paciente idoso, IRC, com dispneia, hipertensão e hipoxemia pós-transfusão → Sobrecarga volêmica (TACO).

Resumo-Chave

A sobrecarga volêmica associada à transfusão (TACO) é uma complicação comum em pacientes com fatores de risco como idade avançada, insuficiência cardíaca ou renal. Os sintomas incluem dispneia, hipertensão, taquicardia e hipoxemia, resultantes do aumento agudo da volemia e da pressão hidrostática pulmonar.

Contexto Educacional

A sobrecarga volêmica associada à transfusão (TACO - Transfusion Associated Circulatory Overload) é uma das reações transfusionais mais comuns e potencialmente graves, caracterizada por insuficiência respiratória aguda e/ou edema pulmonar cardiogênico que ocorre durante ou até 6 horas após a transfusão. É uma condição de alta morbidade e mortalidade, especialmente em pacientes vulneráveis. A fisiopatologia da TACO envolve um aumento agudo da volemia que excede a capacidade de compensação cardiovascular do paciente, levando a um aumento da pressão hidrostática pulmonar e extravasamento de fluido para os alvéolos. Pacientes idosos, com insuficiência cardíaca, insuficiência renal crônica ou anemia crônica são particularmente suscetíveis. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas de dispneia, taquicardia, hipertensão, hipoxemia e evidência radiológica de edema pulmonar. O manejo da TACO exige a interrupção imediata da transfusão, suporte respiratório com oxigênio, elevação da cabeceira do leito e administração de diuréticos de alça para promover a diurese e reduzir a pré-carga. Em casos graves, pode ser necessária ventilação não invasiva ou invasiva. A prevenção é fundamental e inclui a transfusão de volumes menores em ritmo mais lento, especialmente em pacientes de risco, e o monitoramento rigoroso dos sinais vitais durante e após a transfusão.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para TACO?

Os principais fatores de risco para TACO incluem idade avançada, insuficiência cardíaca congestiva, insuficiência renal crônica, anemia crônica e transfusão rápida de grandes volumes de hemoderivados. Pacientes com múltiplas comorbidades são mais vulneráveis.

Como diferenciar TACO de TRALI clinicamente?

TACO geralmente se manifesta com sinais de sobrecarga circulatória, como hipertensão, taquicardia, ingurgitamento jugular e edema pulmonar cardiogênico. TRALI, por outro lado, cursa frequentemente com hipotensão, febre e edema pulmonar não cardiogênico, sem evidência de sobrecarga volêmica.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de TACO?

A conduta inicial para TACO inclui interromper a transfusão imediatamente, elevar a cabeceira do leito, administrar oxigênio suplementar e diuréticos de alça (como furosemida) para reduzir a sobrecarga volêmica. Em casos graves, pode ser necessária ventilação mecânica.

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