UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
Homem, 80 anos, diabético, hipertenso e portador de insuficiência renal crônica, com hemoglobina 7,0 g/dl, evolui durante a transfusão da 2ª unidade de concentrado de hemácias com hipertensão arterial, taquicardia, dispneia e hipoxemia (Saturação: 80%). Das reações transfusionais abaixo, a mais provável para justificar o quadro clínico é:
Paciente idoso, IRC, com dispneia, hipertensão e hipoxemia pós-transfusão → Sobrecarga volêmica (TACO).
A sobrecarga volêmica associada à transfusão (TACO) é uma complicação comum em pacientes com fatores de risco como idade avançada, insuficiência cardíaca ou renal. Os sintomas incluem dispneia, hipertensão, taquicardia e hipoxemia, resultantes do aumento agudo da volemia e da pressão hidrostática pulmonar.
A sobrecarga volêmica associada à transfusão (TACO - Transfusion Associated Circulatory Overload) é uma das reações transfusionais mais comuns e potencialmente graves, caracterizada por insuficiência respiratória aguda e/ou edema pulmonar cardiogênico que ocorre durante ou até 6 horas após a transfusão. É uma condição de alta morbidade e mortalidade, especialmente em pacientes vulneráveis. A fisiopatologia da TACO envolve um aumento agudo da volemia que excede a capacidade de compensação cardiovascular do paciente, levando a um aumento da pressão hidrostática pulmonar e extravasamento de fluido para os alvéolos. Pacientes idosos, com insuficiência cardíaca, insuficiência renal crônica ou anemia crônica são particularmente suscetíveis. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas de dispneia, taquicardia, hipertensão, hipoxemia e evidência radiológica de edema pulmonar. O manejo da TACO exige a interrupção imediata da transfusão, suporte respiratório com oxigênio, elevação da cabeceira do leito e administração de diuréticos de alça para promover a diurese e reduzir a pré-carga. Em casos graves, pode ser necessária ventilação não invasiva ou invasiva. A prevenção é fundamental e inclui a transfusão de volumes menores em ritmo mais lento, especialmente em pacientes de risco, e o monitoramento rigoroso dos sinais vitais durante e após a transfusão.
Os principais fatores de risco para TACO incluem idade avançada, insuficiência cardíaca congestiva, insuficiência renal crônica, anemia crônica e transfusão rápida de grandes volumes de hemoderivados. Pacientes com múltiplas comorbidades são mais vulneráveis.
TACO geralmente se manifesta com sinais de sobrecarga circulatória, como hipertensão, taquicardia, ingurgitamento jugular e edema pulmonar cardiogênico. TRALI, por outro lado, cursa frequentemente com hipotensão, febre e edema pulmonar não cardiogênico, sem evidência de sobrecarga volêmica.
A conduta inicial para TACO inclui interromper a transfusão imediatamente, elevar a cabeceira do leito, administrar oxigênio suplementar e diuréticos de alça (como furosemida) para reduzir a sobrecarga volêmica. Em casos graves, pode ser necessária ventilação mecânica.
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