USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Menino, 8 anos de idade, portador de síndrome nefrótica corticodependente, encontra-se internado há dois dias por quadro atual de descompensação da síndrome, desencadeada por infecção de vias aéreas superiores. Está recebendo albumina humana 20% intravenosa. Após a infusão de cerca de metade da dose, apresenta queixa de desconforto respiratório. Em sua avaliação clínica, nota-se FR: 32 ipm, FC: 138 bpm, PA: 140/88 mmHg, Saturação de Oxigênio de 89% em ar ambiente, ausculta de estertores crepitantes em ambas as bases pulmonares e fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito. Qual é o medicamento indicado neste momento?
Infusão de albumina em síndrome nefrótica descompensada → risco de sobrecarga volêmica → Furosemida para diurese.
Pacientes com síndrome nefrótica e hipoalbuminemia podem desenvolver sobrecarga volêmica durante a infusão de albumina, especialmente se houver disfunção renal ou cardíaca. Os sinais apresentados (desconforto respiratório, taquipneia, taquicardia, hipertensão, estertores, hepatomegalia) indicam edema agudo de pulmão e insuficiência cardíaca congestiva, necessitando de diurético potente como a furosemida.
A síndrome nefrótica é uma condição pediátrica caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. A descompensação, frequentemente desencadeada por infecções, pode levar a um agravamento do edema e hipovolemia intravascular relativa, apesar do edema generalizado. Nesses casos, a infusão de albumina é uma estratégia para expandir o volume intravascular e mobilizar o líquido do interstício. No entanto, essa terapia não é isenta de riscos e exige monitoramento rigoroso. A infusão de albumina, especialmente em pacientes com função renal comprometida ou em doses elevadas, pode levar a uma rápida expansão do volume intravascular. Se o sistema cardiovascular não conseguir lidar com esse aumento súbito de volume, pode ocorrer sobrecarga volêmica, manifestando-se como edema agudo de pulmão e insuficiência cardíaca congestiva. Os sinais clínicos incluem dispneia, taquipneia, taquicardia, hipertensão, estertores pulmonares e hepatomegalia, como observado no caso. Diante de um quadro de sobrecarga volêmica aguda, a intervenção imediata é crucial. A furosemida, um diurético de alça, é o medicamento de escolha para promover uma diurese rápida e reduzir o volume intravascular, aliviando os sintomas respiratórios e cardiovasculares. É fundamental que residentes reconheçam prontamente esses sinais e saibam manejar essa complicação grave, garantindo a segurança do paciente durante o tratamento da síndrome nefrótica.
Sinais de sobrecarga volêmica incluem desconforto respiratório, taquipneia, taquicardia, hipertensão, estertores crepitantes na ausculta pulmonar, hepatomegalia e aumento do edema periférico. A saturação de oxigênio pode diminuir.
A albumina, ao ser infundida, aumenta a pressão oncótica intravascular, puxando líquido do espaço intersticial para o intravascular. Em pacientes com função renal comprometida ou infusão rápida, o corpo pode não conseguir excretar esse excesso de volume, levando à sobrecarga.
A furosemida é um diurético de alça potente que atua inibindo a reabsorção de sódio e água no ramo ascendente da alça de Henle, promovendo uma diurese rápida e eficaz. É o medicamento de escolha para reduzir o volume intravascular em situações de sobrecarga hídrica aguda.
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