MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 74 anos, com antecedentes de hipertensão arterial sistêmica e insuficiência cardíaca de fração de ejeção preservada, está internada para tratamento de uma infecção urinária complicada. Devido a um quadro de anemia com hemoglobina de 6,5 g/dL e sintomas de astenia importante, foi prescrita a transfusão de duas unidades de concentrado de hemácias. Cerca de 90 minutos após o início da primeira unidade, a paciente desenvolveu subitamente desconforto respiratório, tosse seca e necessidade de oxigênio suplementar. Ao exame físico, apresenta-se taquipneica, com frequência cardíaca de 115 bpm e pressão arterial de 175/95 mmHg. A ausculta pulmonar revela estertores crepitantes bilaterais até terços médios e nota-se presença de turgência jugular patológica. A temperatura axilar é de 36,8 °C. Considerando o quadro clínico descrito, qual a hipótese diagnóstica mais provável e o elemento clínico que a diferencia de outras reações pulmonares?
TACO = Hipertensão + Turgência Jugular + Resposta a diurético; TRALI = Hipotensão + Febre.
A TACO é uma causa comum de insuficiência respiratória pós-transfusional em pacientes com reserva cardíaca limitada, caracterizando-se por sinais de congestão sistêmica e hipertensão arterial.
A Sobrecarga Volêmica Associada à Transfusão (TACO) é frequentemente subdiagnosticada, mas representa uma das principais causas de morbidade e mortalidade transfusional. O quadro clínico clássico ocorre em até 6 horas após o início da transfusão, caracterizando-se por desconforto respiratório agudo e evidências de edema pulmonar. A fisiopatologia envolve a incapacidade do sistema cardiovascular de acomodar o volume ou a pressão oncótica do hemocomponente transfundido. Em pacientes idosos com comorbidades como hipertensão e insuficiência cardíaca, a complacência ventricular está reduzida, tornando-os extremamente sensíveis a variações rápidas de volume. O diagnóstico é clínico, apoiado por achados como turgência jugular, estertores crepitantes e elevação da pressão arterial sistólica. O tratamento foca na depleção de volume, contrastando com a TRALI, onde o suporte é predominantemente ventilatório e a reposição volêmica pode ser necessária se houver hipotensão grave.
Os principais fatores de risco para a Sobrecarga Volêmica Associada à Transfusão (TACO) incluem extremos de idade (idosos e neonatos), história prévia de insuficiência cardíaca (especialmente com fração de ejeção preservada ou reduzida), insuficiência renal crônica e balanço hídrico positivo antes da transfusão. O volume transfundido e a velocidade de infusão também são determinantes críticos; em pacientes de risco, recomenda-se uma velocidade de infusão mais lenta (ex: 1 ml/kg/h) e, por vezes, o uso profilático de diuréticos de alça entre as unidades de concentrado de hemácias.
A diferenciação baseia-se no status volêmico e hemodinâmico. A TACO manifesta-se com hipertensão arterial, turgência jugular, presença de terceira bulha (B3) e resposta rápida a diuréticos, refletindo um edema pulmonar hidrostático (cardiogênico). Já a TRALI (Transfusion-Related Acute Lung Injury) é uma forma de SDRA causada por anticorpos que ativam neutrófilos nos pulmões; clinicamente, cursa com hipotensão, febre e ausência de sinais de sobrecarga de volume, sendo o edema pulmonar de natureza não cardiogênica (exsudativo).
O manejo imediato envolve a interrupção imediata da transfusão, suporte ventilatório (oxigenoterapia ou ventilação não invasiva se necessário) e administração de diuréticos de alça intravenosos (como a furosemida) para reduzir a pré-carga. Diferente de outras reações, a TACO não requer necessariamente a notificação para bloqueio de doadores, mas exige uma revisão rigorosa da indicação transfusional e do ritmo de infusão para futuras necessidades do paciente.
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