Sobrecarga Hídrica Pós-Operatória: Manejo e Conduta

UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Paciente no 3° dia de pós-operatório de gastrectomia total. Ainda não se alimentou, possui balanço hídrico positivo de 2000 ml nos últimos 2 dias. Apresenta vômitos há 12 horas, e no momento encontra-se taquipnéico, e oligúrico há 4 horas. O que devemos fazer?

Alternativas

  1. A) Iniciar reposição volêmica com colóide e diurético, reduzir cristalóide, observar diurese nas próximas 6 horas. Avaliar início de nutrição parenteral em 24 horas.
  2. B) Aumentar a hidratação venosa com cristaloides e colocar remédios para náuseas e vômitos regulares.
  3. C) Iniciar reposição volêmica com coloides e diuréticos e programar nutrição enteral por cateter no intestino.
  4. D) Iniciar antibioticoterapia venosa para pneumonia.
  5. E) Passar cateter nasogástrico e iniciar dieta enteral.

Pérola Clínica

Pós-op gastrectomia com sobrecarga hídrica + oligúria → Reduzir cristalóide, considerar colóide + diurético.

Resumo-Chave

Pacientes em pós-operatório, especialmente de cirurgias maiores como gastrectomia, podem desenvolver sobrecarga hídrica mesmo com oligúria, devido à resposta inflamatória e retenção de sódio e água. A taquipneia pode indicar edema pulmonar. A abordagem envolve otimizar o balanço hídrico, muitas vezes com diuréticos e ajuste dos fluidos.

Contexto Educacional

A sobrecarga hídrica no pós-operatório é uma complicação comum, especialmente após grandes cirurgias como a gastrectomia total, devido à resposta inflamatória sistêmica que leva à retenção de sódio e água. A identificação precoce é crucial, pois pode levar a edema pulmonar, disfunção renal e atraso na recuperação. É fundamental monitorar o balanço hídrico rigorosamente e os sinais vitais. A fisiopatologia envolve a liberação de hormônios antidiuréticos e aldosterona, além do extravasamento capilar. O diagnóstico é clínico, com balanço hídrico positivo e sinais como taquipneia, edema e oligúria. É importante diferenciar a oligúria por hipovolemia daquela por sobrecarga, que em pacientes com balanço positivo e sinais de congestão, aponta para a segunda. O tratamento visa otimizar o balanço hídrico, geralmente com restrição de fluidos e uso de diuréticos de alça. Em casos selecionados, coloides podem ser úteis para manter a pressão oncótica. A nutrição deve ser iniciada assim que possível, preferencialmente por via enteral, mas a parenteral é uma opção se a via oral/enteral não for viável em tempo hábil.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de sobrecarga hídrica em pacientes pós-operatórios?

Sinais incluem balanço hídrico positivo, edema periférico, taquipneia (por edema pulmonar), e por vezes oligúria paradoxal devido à disfunção renal.

Qual a conduta inicial para oligúria em paciente com balanço hídrico positivo no pós-operatório?

A conduta inicial deve ser a restrição de fluidos, uso de diuréticos (como furosemida) e, se necessário, considerar coloides para otimizar a pressão oncótica, sempre monitorando a função renal.

Quando considerar nutrição parenteral em pós-operatório de gastrectomia?

A nutrição parenteral deve ser considerada se o paciente não puder se alimentar por via enteral por mais de 5-7 dias, ou mais cedo em pacientes desnutridos, para evitar catabolismo e complicações.

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