UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2022
Paciente muito idoso, 88 anos, residente em Colatina/ES. Possui diagnóstico de doença de Alzheimer provável em fase avançada, FAST 7F, em seguimento regular no ambulatório de Geriatria. Faz uso Memantina 20mg/dia, Metoprolol 50mg/dia e Rosuvastatina 10mg/dia. Há aproximadamente duas semanas, a filha, principal cuidadora, vem observando maior agitação do paciente, principalmente no período noturno. Sem consultar o médico assistente, resolveu administrar Clonazepam 2mg (1 comprimido) pela noite para controle comportamental. Não houve resposta satisfatória. Decidiu então levá-lo ao médico de sua confiança, onde exame físico detalhado evidenciou paciente com múltiplas contraturas em grandes articulações, gastrostomia em bom aspecto e presença de lesão sacral compatível com úlcera de pressão grau 2 e lesão trocantérica esquerda compatível com úlcera de pressão grau 3. Ao observar a presença das lesões, a filha demonstra surpresa e chora bastante, afirmando que apenas havia observado pequena vermelhidão local e que as feridas não estavam assim no dia anterior. Sempre foi muito cuidadosa com a pai e que tal situação muito a entristecia.Em relação ao caso apresentado, é possível afirmar:
Cuidador de idoso com demência avançada e úlceras de pressão → investigar sobrecarga do cuidador com Escala de Zarit.
O cuidado de pacientes com demência avançada é extremamente exigente e pode levar à sobrecarga do cuidador, manifestada por estresse emocional, exaustão e até negligência inadvertida. A reação da filha (surpresa, choro) diante das úlceras de pressão, apesar de ser cuidadosa, é um forte indicativo de sobrecarga, que pode ser avaliada pela Escala de Zarit.
A demência avançada, como a doença de Alzheimer em fase FAST 7F, impõe uma demanda de cuidados intensiva e contínua, que recai majoritariamente sobre os cuidadores familiares. A sobrecarga do cuidador é um problema de saúde pública significativo, com implicações diretas na saúde física e mental do cuidador e, consequentemente, na qualidade do cuidado prestado ao paciente. Este é um tema crucial em Geriatria e para a formação de residentes. A fisiopatologia da sobrecarga do cuidador envolve estresse crônico, privação de sono, isolamento social e dificuldades financeiras. A reação emocional da filha, demonstrando surpresa e tristeza pelas úlceras de pressão, apesar de ser uma cuidadora dedicada, é um forte indicativo de que ela pode estar em um estado de sobrecarga, onde a percepção da realidade do cuidado pode estar alterada. A Escala de Zarit é uma ferramenta validada para rastrear e quantificar essa sobrecarga. O tratamento da sobrecarga do cuidador envolve intervenções multidisciplinares, como suporte psicológico, grupos de apoio, educação sobre a doença e estratégias de autocuidado, além da identificação e manejo das complicações do paciente, como as úlceras de pressão. O prognóstico do paciente e do cuidador melhora significativamente quando a sobrecarga é reconhecida e abordada, promovendo um ambiente de cuidado mais sustentável e humano.
Sinais incluem estresse emocional, exaustão física e mental, sentimentos de culpa, raiva, isolamento social, depressão, e, por vezes, negligência inadvertida no cuidado do paciente, como o surgimento de úlceras de pressão.
A Escala de Zarit (Zarit Burden Interview) é um instrumento validado para avaliar o grau de sobrecarga percebida por cuidadores de pessoas com doenças crônicas, especialmente demência. Consiste em uma série de perguntas sobre o impacto do cuidado na vida do cuidador.
A sobrecarga do cuidador pode levar à diminuição da qualidade do cuidado, aumento do risco de acidentes, negligência (mesmo que não intencional), e piora da saúde física e mental do paciente, como o desenvolvimento ou agravamento de úlceras de pressão.
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