SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Mulher de 78 anos de idade, portadora de insuficiência cardíaca crônica com fração de ejeção preservada, é internada com hemoglobina de 6,8 g/dL, sendo indicada transfusão de concentrado de hemácias. Após aproximadamente uma hora do início da transfusão, inicia dispneia súbita, ortopneia. Frequência cardíaca de 105 bpm e pressão arterial de 150x90 mmHg. Saturação de oxigênio: 87% em ar ambiente. Estase jugular presente, ausculta pulmonar com estertores bilaterais, temperatura normal. Qual é a hipótese diagnóstica?
Dispneia + Hipertensão + Estase Jugular pós-transfusão = TACO.
A TACO (Transfusion-Associated Circulatory Overload) é uma causa comum de edema pulmonar hidrostático pós-transfusão, ocorrendo especialmente em idosos e cardiopatas devido à infusão de volume superior à capacidade de complacência cardíaca.
A Sobrecarga Circulatória Associada à Transfusão (TACO) é atualmente uma das principais causas de morbidade e mortalidade relacionadas à transfusão. Sua fisiopatologia envolve a incapacidade do sistema cardiovascular de acomodar o volume transfundido, levando ao aumento da pressão hidrostática nos capilares pulmonares e consequente transudação de fluido para o alvéolo. Pacientes com Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEp), como a paciente do caso, são particularmente vulneráveis devido à rigidez ventricular, onde pequenos incrementos de volume resultam em grandes aumentos na pressão diastólica final. O reconhecimento precoce através da tríade dispneia, hipertensão e sinais de congestão é vital para o tratamento rápido com diuréticos e suporte pressórico.
A TACO caracteriza-se pelo desenvolvimento de edema pulmonar agudo em até 6 horas após a transfusão. Os sinais clínicos incluem dispneia súbita, ortopneia, cianose, taquicardia e, crucialmente, evidências de sobrecarga de volume, como hipertensão arterial, estase jugular, presença de terceira bulha (B3) e estertores crepitantes à ausculta pulmonar. É mais frequente em pacientes nos extremos de idade, com insuficiência cardíaca ou renal prévia.
Embora ambas causem desconforto respiratório agudo, a TACO é um edema hidrostático (por volume), enquanto a TRALI (Transfusion-Related Acute Lung Injury) é um edema não hidrostático (por lesão inflamatória capilar). Na TACO, observa-se hipertensão e sinais de congestão sistêmica (estase jugular). Na TRALI, é comum haver hipotensão, febre e ausência de sinais de sobrecarga circulatória. O BNP costuma estar muito elevado na TACO e normal ou discretamente elevado na TRALI.
O manejo imediato inclui a interrupção imediata da transfusão, suporte ventilatório (oxigênio ou ventilação não invasiva se necessário) e administração de diuréticos de alça (como furosemida) para reduzir a volemia. Em pacientes de alto risco (idosos, cardiopatas), a prevenção pode ser feita com infusão lenta do hemocomponente (máximo 2ml/kg/h) ou uso profilático de diuréticos entre as bolsas.
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