Mitomicina-C na Cirurgia de Glaucoma: Benefícios e Riscos

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Sobre o uso da mitomicina-C na cirurgia de glaucoma, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O uso com esponjas umedecidas tem melhor eficácia hipotensora que o uso injetável subconjuntival.
  2. B) Não é tóxico para o endotélio corneano.
  3. C) Atualmente também é indicado para as cirurgias de implante de drenagem.
  4. D) Aumenta as taxas de hipotonia no atendimento pós-operatório da trabeculectomia.

Pérola Clínica

Mitomicina-C na trabeculectomia → ↓ Cicatrização mas ↑ Risco de hipotonia e infecção.

Resumo-Chave

A Mitomicina-C é um potente inibidor de fibroblastos usado para evitar a falência da trabeculectomia, mas seu uso aumenta o risco de hipotonia pós-operatória.

Contexto Educacional

O sucesso da trabeculectomia depende do equilíbrio delicado entre a drenagem do humor aquoso e a resposta cicatricial do hospedeiro. A introdução de antimetabólitos como a Mitomicina-C e o 5-Fluorouracil revolucionou o prognóstico de pacientes com alto risco de falência cirúrgica, como jovens, negros ou pacientes com cirurgias prévias. A aplicação da MMC é geralmente feita através de esponjas embebidas colocadas sob o retalho conjuntival por um período determinado (geralmente 1 a 5 minutos), seguida de lavagem vigorosa com soro fisiológico. Apesar de sua eficácia em manter a pressão intraocular em níveis baixos, o cirurgião deve estar atento às complicações tardias, monitorando rigorosamente a integridade da bolha e a pressão ocular para intervir precocemente em casos de hipotonia.

Perguntas Frequentes

Qual a função da Mitomicina-C na trabeculectomia?

A Mitomicina-C (MMC) é um agente antineoplásico que atua como um antimetabólito alquilante. Na cirurgia de glaucoma (trabeculectomia), ela é utilizada topicamente para inibir a proliferação de fibroblastos e a síntese de colágeno no sítio cirúrgico. Isso previne a cicatrização excessiva da bolha filtrante, que é a principal causa de falência da cirurgia e retorno do aumento da pressão intraocular.

Por que a MMC aumenta o risco de hipotonia?

Devido à sua potente ação inibitória sobre a cicatrização, a MMC pode resultar em uma bolha filtrante excessivamente delgada, avascular e friável. Isso pode levar a uma filtração exagerada do humor aquoso ou até mesmo a microfuros na conjuntiva (seidel positivo tardio). A consequência é a hipotonia ocular crônica, que pode causar maculopatia hipotônica, descolamento de coroide e perda visual progressiva.

A Mitomicina-C é tóxica para o olho?

Sim, a MMC é altamente citotóxica. Se entrar em contato com o endotélio corneano, pode causar perda celular irreversível e edema de córnea. Além disso, o uso de MMC está associado a um risco aumentado de blebite (infecção da bolha) e endoftalmite a longo prazo, devido ao afinamento tecidual que facilita a entrada de microrganismos para o interior do globo ocular.

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