Tabagismo: Epidemiologia, Riscos Oncológicos e Tratamento

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Sobre o tabagismo, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Em 1989, 34,8% da população brasileira era tabagista. Em 2019 esse percentual caiu para 12,6%.
  2. B) O tabagismo está relacionado os seguintes cânceres: esôfago, pulmão, boca e tireoide.
  3. C) A bupropiona é um antidepressivo que pode ser utilizado para auxiliar na cessação do tabagismo apenas nos casos em que o paciente apresentar transtorno depressivo.
  4. D) A terapia de reposição de nicotina deve ser evitada já que mantém o paciente com vício de nicotina.

Pérola Clínica

Tabagismo = fator de risco para múltiplos cânceres (pulmão, TGI, tireoide) e doenças CV; prevalência no Brasil ↓ drasticamente.

Resumo-Chave

O tabagismo é a principal causa evitável de morte e câncer no mundo, com forte associação a neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, esôfago e tireoide.

Contexto Educacional

O tabagismo é reconhecido pela OMS como uma doença crônica epidêmica, causada pela dependência da nicotina. No Brasil, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo conseguiu reduzir drasticamente o número de fumantes, mas o desafio persiste com o surgimento dos dispositivos eletrônicos para fumar (vapes). A fisiopatologia dos danos causados pelo tabaco envolve estresse oxidativo, inflamação crônica e danos diretos ao DNA celular pelas substâncias tóxicas. Além das neoplasias, o tabagismo é o principal fator de risco para DPOC e um dos maiores para doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e AVC. O tratamento deve ser individualizado, combinando suporte psicológico para mudança de hábitos e medicamentos que mitiguem a síndrome de abstinência. Médicos de todas as especialidades devem interrogar sobre o hábito tabágico e oferecer auxílio para cessação em todas as consultas.

Perguntas Frequentes

Qual a evolução da prevalência do tabagismo no Brasil?

O Brasil é uma referência mundial no controle do tabagismo. Segundo dados do Ministério da Saúde e do INCA, houve uma redução significativa na prevalência de fumantes nas últimas décadas devido a políticas públicas eficazes (como a proibição de propaganda e leis antifumo). Em 1989, a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN) indicava que cerca de 34,8% da população adulta era fumante. Em 2019, dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) mostraram que esse índice caiu para aproximadamente 12,6%. Essa queda reflete o sucesso das estratégias de prevenção e do tratamento oferecido pelo SUS.

Quais tipos de câncer estão diretamente ligados ao tabagismo?

O tabagismo é responsável por cerca de 30% de todas as mortes por câncer. A associação mais forte e conhecida é com o câncer de pulmão (cerca de 85-90% dos casos). No entanto, o tabaco contém mais de 70 substâncias carcinogênicas que afetam diversos órgãos. Está diretamente relacionado a cânceres de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, pâncreas, rim, bexiga, colo do útero, leucemia mieloide aguda e, conforme evidências mais recentes, também ao câncer de tireoide. O risco é proporcional à carga tabágica (quantidade de maços/ano) e ao tempo de exposição.

Como funciona o tratamento farmacológico para cessação do tabagismo?

O tratamento baseia-se na abordagem cognitivo-comportamental associada à farmacoterapia. A Terapia de Reposição de Nicotina (TRN), via adesivos ou gomas, reduz os sintomas de abstinência ao fornecer nicotina de forma controlada e sem as toxinas da combustão. A Bupropiona, um antidepressivo que inibe a recaptação de dopamina e noradrenalina, reduz a fissura e o prazer associado ao cigarro; seu uso é indicado para cessação tabágica independentemente da presença de transtorno depressivo. Outra opção é a Vareniclina, um agonista parcial dos receptores nicotínicos. O objetivo é descontinuar o uso do tabaco de forma segura e sustentada.

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