CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2010
Sobre os movimentos oculares, é correto afirmar que:
Lei de Hering = inervação igual para músculos conjugados; Lei de Sherrington = inervação recíproca no mesmo olho.
A Lei de Hering explica o desvio secundário maior que o primário no estrabismo paralítico: o esforço para fixar com o olho parético gera hiperestimulação no olho sadio.
O estudo da motilidade ocular extrínseca é baseado em princípios fisiológicos que regem a coordenação neuromuscular. A compreensão das leis de Hering e Sherrington é essencial para o diagnóstico topográfico de paralisias de nervos cranianos (III, IV e VI) e para a diferenciação entre estrabismos restritivos e paralíticos. Clinicamente, o médico deve observar as versões (movimentos binoculares) e duções (movimentos monoculares). Enquanto as duções testam a força muscular individual, as versões revelam desequilíbrios inervacionais. A aplicação prática desses conceitos permite identificar qual músculo está hipofuncionante e prever o comportamento do olho contralateral durante o teste de cobertura (cover test).
A Lei de Hering da correspondência motora estabelece que, durante qualquer movimento ocular conjugado (versões), impulsos nervosos de igual intensidade são enviados aos músculos de ambos os olhos que atuam como pares (músculos 'yoke' ou conjugados). No contexto clínico, isso explica por que, em uma paralisia muscular, o desvio é maior quando o paciente fixa com o olho afetado (desvio secundário), pois o sistema nervoso envia uma inervação aumentada para tentar mover o olho parético, o que resulta em uma resposta excessiva no músculo correspondente do olho sadio.
A principal diferença reside na aplicação monocular versus binocular. A Lei de Sherrington (inervação recíproca) refere-se a um único olho: quando um músculo agonista se contrai, seu antagonista ipsilateral relaxa na mesma proporção. Já a Lei de Hering refere-se a ambos os olhos: músculos conjugados (como o reto lateral de um olho e o reto medial do outro) recebem a mesma quantidade de estímulo nervoso simultaneamente para garantir o alinhamento durante as versões.
Ela é fundamental para diferenciar desvios comitantes de incomitantes. No estrabismo paralítico, ao solicitar que o paciente realize a fixação com o olho parético, a Lei de Hering dita que o olho não fixador (sadio) receberá uma inervação proporcional ao esforço do olho doente. Como o olho doente exige muito mais estímulo para tentar se mover, o olho sadio sofre um desvio muito maior, fenômeno conhecido como desvio secundário, que é sempre maior que o desvio primário (fixação com o olho sadio).
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