Gota: Fisiopatologia e Metabolismo do Ácido Úrico

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020

Enunciado

Sobre a gota, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A gota é uma doença, caracterizada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico em articulações, tecido sinovial, ossos e pele, exclusivamente, na presença de manifestações clínicas.
  2. B) Cristais de urato monossódico são a forma líquida do ácido úrico, produto inicial do metabolismo das purinas, que podem se acumular em tecidos orgânicos.
  3. C) No processo biológico de produção de urato, os compostos são, nos últimos estágios, metabolizados em xantina e essa, por sua vez, é oxidada de forma irreversível para produzir ácido úrico, pela enzima xantina oxidase.
  4. D) O ácido úrico circulante na corrente sanguínea mantém seus níveis fisiológicos em concentrações próximas de 12,0 mg/dL, o excedente é eliminado pelo fígado.
  5. E) A hiperuricemia é considerada a alta concentração sérica de ácido úrico e se dá próxima dos 15,0mg/dL, limite de solubilidade do urato. A partir do nível de solubilidade, os cristais de ácido úrico podem se acumular nos tecidos, especialmente, se a hiperuricemia for aguda.

Pérola Clínica

Gota = acúmulo de cristais de urato; ácido úrico é produto final do metabolismo das purinas via xantina oxidase.

Resumo-Chave

A alternativa C descreve corretamente a via final do metabolismo das purinas, onde a xantina é oxidada pela enzima xantina oxidase para formar ácido úrico. Essa enzima é um alvo terapêutico importante no tratamento da hiperuricemia e gota.

Contexto Educacional

A gota é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo depósito de cristais de urato monossódico em articulações e tecidos, resultante da hiperuricemia (níveis elevados de ácido úrico no sangue). É a forma mais comum de artrite inflamatória em homens adultos e sua prevalência tem aumentado globalmente. A compreensão do metabolismo das purinas é fundamental para entender a fisiopatologia e o tratamento da gota. A fisiopatologia da gota está intrinsecamente ligada ao metabolismo das purinas, que são componentes essenciais do DNA e RNA. As purinas são metabolizadas em hipoxantina, depois em xantina e, finalmente, em ácido úrico pela ação da enzima xantina oxidase. O ácido úrico é o produto final desse metabolismo e é excretado principalmente pelos rins. A hiperuricemia pode ocorrer tanto por superprodução de ácido úrico quanto por subexcreção renal, levando à supersaturação do urato no sangue e à formação de cristais. O diagnóstico da gota é confirmado pela identificação de cristais de urato monossódico no líquido sinovial. O tratamento visa aliviar a crise aguda (com AINEs, colchicina ou corticosteroides) e, a longo prazo, reduzir os níveis de ácido úrico para prevenir novas crises e a formação de tofos. Inibidores da xantina oxidase, como alopurinol e febuxostate, são a base do tratamento profilático, diminuindo a produção de ácido úrico e mantendo os níveis séricos abaixo do limiar de solubilidade.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da xantina oxidase na fisiopatologia da gota?

A xantina oxidase é uma enzima crucial no metabolismo das purinas, catalisando a oxidação da hipoxantina a xantina e da xantina a ácido úrico. A superprodução de ácido úrico por essa via contribui para a hiperuricemia e a formação de cristais de urato.

O que são os cristais de urato monossódico e onde eles se acumulam na gota?

Os cristais de urato monossódico são a forma cristalizada do ácido úrico que se acumulam em articulações, tecidos sinoviais, cartilagens, ossos e tecidos moles (formando tofos), desencadeando a resposta inflamatória característica da gota.

Qual o tratamento farmacológico para reduzir os níveis de ácido úrico na gota?

O tratamento para reduzir os níveis de ácido úrico inclui inibidores da xantina oxidase, como alopurinol e febuxostate, que diminuem a produção de ácido úrico. Uricosúricos, como probenecida, aumentam a excreção renal de ácido úrico.

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