Esclerite: Classificação, Diagnóstico e Manejo Clínico

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012

Enunciado

Sobre as esclerites, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) São mais frequentes nos homens, com predisposição para caucasianos
  2. B) Sempre requerem tratamento sistêmico
  3. C) Nos casos associados a estafiloma, a dor favorece o diagnóstico da escleromalacia perforans
  4. D) A esclerite posterior é a forma mais comum

Pérola Clínica

Esclerite = Dor ocular intensa + Edema escleral + Necessidade de tratamento sistêmico.

Resumo-Chave

Diferente da episclerite, a esclerite é uma condição grave, frequentemente associada a doenças sistêmicas autoimunes, que exige terapia sistêmica (AINEs ou corticoides) para evitar a perda ocular.

Contexto Educacional

A esclerite é uma inflamação grave da esclera que pode ser classificada em anterior (difusa, nodular ou necrotizante) e posterior. A forma necrotizante é a mais perigosa, com alto risco de perda visual. Cerca de 50% dos pacientes com esclerite possuem uma doença sistêmica associada, sendo a Artrite Reumatoide a mais comum. O diagnóstico é clínico, mas a ultrassonografia (sinal do T) é fundamental na suspeita de esclerite posterior. O manejo exige uma abordagem multidisciplinar entre oftalmologistas e reumatologistas. O tratamento de primeira linha geralmente envolve AINEs sistêmicos para casos não necrotizantes, progredindo para corticosteroides e agentes imunossupressores (como metotrexato ou biológicos) em casos refratários ou necrotizantes.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre esclerite e episclerite?

A esclerite envolve as camadas profundas da esclera, causando dor intensa, profunda e lancinante, frequentemente associada a doenças sistêmicas. A episclerite é superficial, autolimitada e causa desconforto leve. Clinicamente, o teste da fenilefrina 10% branqueia os vasos na episclerite, mas não na esclerite profunda.

O que caracteriza a escleromalacia perforans?

É uma forma de esclerite necrotizante sem inflamação aparente (indolor), ocorrendo tipicamente em pacientes com artrite reumatoide de longa data. Caracteriza-se pelo afinamento escleral progressivo que permite a visualização da úvea subjacente, podendo levar à perfuração ocular em casos de trauma mínimo.

Por que o tratamento da esclerite deve ser sistêmico?

Diferente de outras inflamações oculares superficiais, a esclerite é uma inflamação destrutiva do colágeno escleral. Colírios isolados não penetram adequadamente ou não controlam a cascata inflamatória sistêmica subjacente, sendo necessários AINEs orais, corticoides sistêmicos ou imunomoduladores.

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