Disfagia Orofaríngea e Esofágica: Causas e Diagnóstico

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023

Enunciado

Sobre a disfagia, a dificuldade de deglutição tanto orofaríngea quanto esofágica, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) São distúrbios da motilidade esofágica: acalasia, espasmo difuso e esclerose sistêmica.
  2. B) São causas extrínsecas: bócio retroesternal, carcinoma brônquico e impacção de corpo estranho.
  3. C) São causas agudas: impacção de bolus alimentar, ulceração aguda induzida por drogas e estenose mitral.
  4. D) A endoscopia digestiva alta (EDA) e o esofagograma não podem ser empregados como primeiro teste diagnóstico para o esclarecimento da disfagia esofágica, na dependência da história clínica apresentada pelo paciente.

Pérola Clínica

Disfagia motora (sólidos e líquidos) → Acalasia, Espasmo Difuso ou Esclerose Sistêmica.

Resumo-Chave

Distúrbios motores do esôfago causam disfagia tanto para sólidos quanto para líquidos desde o início, diferentemente das obstruções mecânicas que são progressivas.

Contexto Educacional

A disfagia é um sintoma alarmante que exige investigação sistemática. Os distúrbios da motilidade esofágica representam um grupo importante de patologias onde a coordenação muscular ou o relaxamento dos esfíncteres está prejudicado. A acalasia é o protótipo desses distúrbios, caracterizada pela ausência de peristaltismo no corpo esofágico e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI). A esclerose sistêmica (esclerodermia) também afeta o esôfago através da fibrose do músculo liso, levando à aperistalse e hipotonia do EEI, o que predispõe a refluxo gastroesofágico grave e estenoses. O diagnóstico diferencial deve sempre considerar causas extrínsecas (compressões por bócio retroesternal ou tumores mediastinais) e causas agudas (corpos estranhos), sendo a história clínica a ferramenta mais poderosa para direcionar entre exames de imagem, endoscopia ou manometria esofágica de alta resolução.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre disfagia orofaríngea e esofágica?

A disfagia orofaríngea (ou de transferência) ocorre na fase inicial da deglutição, com dificuldade em iniciar o ato de engolir, frequentemente associada a engasgos, tosse ou regurgitação nasal; as causas costumam ser neurológicas (ex: AVC, Parkinson). Já a disfagia esofágica é a sensação de que o alimento 'parou' no peito após ter sido engolido com sucesso, sugerindo obstrução mecânica ou distúrbio motor do corpo do esôfago.

Como diferenciar obstrução mecânica de distúrbio motor?

Na obstrução mecânica (ex: estenose péptica, câncer), a disfagia é tipicamente progressiva, iniciando com sólidos e evoluindo para líquidos conforme o lúmen estreita. Nos distúrbios motores (ex: acalasia), a disfagia costuma ocorrer para sólidos e líquidos simultaneamente desde o início, podendo ser intermitente e agravada por estresse ou ingestão de líquidos muito gelados.

Qual o papel do esofagograma no diagnóstico?

O esofagograma baritado é frequentemente o primeiro exame em pacientes com suspeita de lesão estrutural proximal ou distúrbios motores, permitindo visualizar a anatomia e a dinâmica da deglutição (ex: aspecto em 'bico de pássaro' na acalasia). No entanto, a endoscopia digestiva alta é fundamental para excluir causas malignas e realizar biópsias, sendo o exame inicial preferencial em pacientes com sinais de alarme como perda de peso.

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