HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Sobre a apresentação e o diagnóstico de artropatias induzidas por cristais, todas as alternativas estão corretas, exceto:
Gota: Padrão-ouro = Cristais de urato monossódico com birrefringência negativa na artrocentese.
Embora a podagra seja sugestiva de gota, o diagnóstico definitivo exige a visualização de cristais no líquido sinovial para diferenciar de outras artropatias e excluir infecção.
As artropatias por cristais compreendem um espectro de doenças inflamatórias articulares causadas pela precipitação de microcristais no espaço sinovial. A gota, a mais comum, resulta do depósito de urato monossódico em indivíduos com hiperuricemia crônica. A doença por depósito de pirofosfato de cálcio (CPPD) pode se manifestar como uma artrite aguda (pseudogota) ou uma artropatia crônica, estando associada ao envelhecimento e a distúrbios metabólicos como hiperparatireoidismo, hipomagnesemia e hemocromatose. A precisão diagnóstica é fundamental, pois o manejo clínico varia desde o controle rigoroso dos níveis de ácido úrico na gota até o tratamento das condições endócrinas subjacentes na CPPD. A artrocentese com análise do líquido sinovial permanece como o padrão-ouro diagnóstico. Além de identificar o tipo de cristal, ela permite a contagem celular para diferenciar processos inflamatórios de não inflamatórios e, crucialmente, realizar a cultura para excluir artrite séptica, que pode coexistir com crises de gota. Exames de imagem como o ultrassom (sinal do duplo contorno na gota) e a tomografia de dupla energia (DECT) têm ganhado espaço como ferramentas complementares não invasivas, mas não substituem a análise direta do cristal em casos de dúvida diagnóstica ou suspeita de infecção.
A Síndrome do Dente Coroado é uma apresentação clínica da doença por depósito de cristais de pirofosfato de cálcio (CPPD) que afeta a coluna cervical alta, especificamente os ligamentos ao redor do processo odontoide de C2. Clinicamente, o paciente apresenta dor cervical aguda e intensa, rigidez de nuca e, frequentemente, febre e elevação de marcadores inflamatórios, o que pode levar ao diagnóstico errôneo de meningite ou polimialgia reumática. O diagnóstico é confirmado por tomografia computadorizada, que revela calcificações lineares ou em ferradura ao redor do dente do áxis. É uma causa importante de dor cervical inflamatória em idosos e responde bem ao tratamento com anti-inflamatórios não esteroidais ou colchicina.
A diferenciação é realizada através da análise do líquido sinovial sob microscopia de luz polarizada compensada. Os cristais de urato monossódico, característicos da gota, possuem formato de agulha e apresentam uma forte birrefringência negativa; isso significa que eles aparecem amarelos quando alinhados paralelamente ao eixo do compensador de luz. Em contraste, os cristais de pirofosfato de cálcio di-hidratado (CPPD), associados à pseudogota, têm formato romboide ou de pequenos bastonetes e exibem uma birrefringência fracamente positiva, aparecendo azuis quando paralelos ao eixo do compensador. Essa distinção é vital para o manejo clínico, pois as condições associadas e o prognóstico a longo prazo diferem significativamente entre as duas patologias.
O Ombro de Milwaukee é uma artropatia destrutiva grave e rapidamente progressiva, ocorrendo predominantemente em mulheres idosas. É causada pelo depósito de cristais de fosfato de cálcio básico, principalmente hidroxiapatita. A condição caracteriza-se por grandes efusões articulares de caráter não inflamatório (frequentemente hemorrágicas), destruição da cartilagem articular, erosões ósseas subcondrais e rotura completa do manguito rotador. Diferente da gota e pseudogota, os cristais de hidroxiapatita são pequenos demais para serem vistos na microscopia de luz polarizada comum, exigindo colorações especiais como o Vermelho de Alizarina para sua identificação. O tratamento é desafiador e muitas vezes requer intervenção cirúrgica devido à severa instabilidade e perda funcional da articulação.
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