Situação Fetal Transversa: Diagnóstico e Conduta no Parto

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023

Enunciado

Durante o exame obstétrico de uma gestante de 38 semanas, em trabalho de parto, foi observado: palpação abdominal (manobras de Leopold-Zweifel) = não evidenciado polo fetal ocupando o fundo uterino; fundo uterino pouco acima da cicatriz umbilical; batimentos cardíacos fetais= normais; dilatação cervical= 8 cm; bolsa das águas rota. De acordo com esses dados, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A situação fetal é transversa com apresentação córmica, cujo ponto de referência fetal é o acrômio e a conduta é operação cesariana.
  2. B) Trata-se de um caso de distócia do trajeto duro no estreito superior da bacia, com diâmetro diminuído da conjugata diagonalis e a conduta é posição verticalizada materna.
  3. C) Os dados relatados acima demonstram feto em apresentação pélvica incompleta, secundária a distócia de trajeto mole e a conduta é operação cesariana.
  4. D) Trata-se de um caso de distócia da posição fetal, com localização topográfica no estreito inferior da bacia e a conduta é a rotação para occipito púbica.

Pérola Clínica

Fundo uterino pouco acima cicatriz umbilical + polo fetal não evidenciado = situação transversa, apresentação córmica → Cesariana.

Resumo-Chave

A palpação abdominal que não evidencia polo fetal no fundo uterino e o fundo uterino baixo para a idade gestacional, em trabalho de parto avançado, são sinais clássicos de situação fetal transversa (apresentação córmica), que impede o parto vaginal e exige cesariana.

Contexto Educacional

A avaliação da situação e apresentação fetal é um componente crítico do exame obstétrico, especialmente durante o trabalho de parto. As Manobras de Leopold-Zweifel são ferramentas essenciais para determinar a posição fetal. A situação fetal refere-se à relação entre o maior eixo longitudinal do feto e o maior eixo longitudinal do útero. Uma situação transversa ocorre quando esses eixos são perpendiculares, impedindo o parto vaginal. Nesse cenário, a apresentação é córmica, significando que o tronco fetal se apresenta à pelve materna, e o ponto de referência para o diagnóstico é o acrômio. Clinicamente, a suspeita surge quando o fundo uterino é mais baixo do que o esperado para a idade gestacional e, na palpação abdominal, não se consegue identificar um polo fetal (cefálico ou pélvico) ocupando o fundo uterino. Ao toque vaginal, pode-se palpar o ombro ou outras partes do tronco. Diante de uma situação fetal transversa confirmada em trabalho de parto, a conduta é invariavelmente a operação cesariana. O parto vaginal é contraindicado devido ao risco de distócia, prolapso de cordão, ruptura uterina e sofrimento fetal. O reconhecimento precoce dessa condição é fundamental para garantir a segurança da mãe e do feto, evitando complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de situação fetal transversa?

Os sinais incluem a não palpação de polo fetal no fundo uterino, fundo uterino mais baixo que o esperado para a idade gestacional e, ao toque vaginal, a impossibilidade de identificar um polo fetal ou a palpação de partes como o acrômio.

Por que a situação fetal transversa exige cesariana?

Na situação transversa, o maior diâmetro fetal (biacromial) se apresenta no menor diâmetro da bacia materna, tornando o parto vaginal impossível e perigoso. A cesariana é a conduta segura para evitar complicações maternas e fetais.

O que é o acrômio como ponto de referência fetal?

O acrômio é o ponto de referência para a apresentação córmica, que ocorre na situação fetal transversa. Ele é uma parte da escápula fetal e pode ser palpado ao toque vaginal em casos de dilatação avançada.

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