SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
A Vigilância Epidemiológica inicia a avaliação de um caso para identificar falhas no cuidado e nos sistemas de informação do SUS: 1. A gestante: 22 anos de idade, G2P1A0, iniciou o pré-natal com 20 semanas de gestação. Os registros no sistema e-SUS Atenção Primária (e-SUS AB) indicam a realização de apenas três consultas. 2. O diagnóstico materno: na 2a consulta, foi registrado o resultado de VDRL: 1:64. Contudo, não há registros de evolução do e-SUS AB, nem anotação clara sobre a conclusão do esquema de tratamento adequado para a gestante e seu parceiro sexual. 3. O nascimento: sexo masculino, nasceu prematuro, com 34 semanas de idade gestacional, pesando 1.900 gramas. O Apgar foi 6, no primeiro minuto, e 8, no quinto minuto. Esses dados foram extraídos do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), preenchido a partir da Declaração de Nascido Vivo (DNV). 4. A internação hospitalar: o recém-nascido foi admitido na UTI neonatal. Essa admissão gerou um registro no Sistema de Informações Hospitalares (SIH-SUS), por meio de uma Autorização de Internação Hospitalar (AIH), com o diagnóstico principal de “Prematuridade” e um CID secundário para “Sífilis Congênita”. 5. O desfecho: o recém-nascido faleceu aos 15 dias de vida. O óbito foi registrado no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), mediante a Declaração de Óbito (DO); a causa básica foi registrada como “Sepse Neonatal”; “Sífilis Congênita” foi listada como uma das causas contribuintes. 6. A notificação do agravo: uma ficha de notificação para Sífilis Congênita foi inserida no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) 30 dias após o óbito do recém-nascido. A ficha apresenta vários campos relacionados ao tratamento da mãe preenchidos como “ignorado” ou deixados em branco. Com base na investigação epidemiológica relatada, é correto afirmar:
e-SUS AB = principal ferramenta para auditoria da qualidade e frequência do pré-natal na atenção primária.
O monitoramento da qualidade do pré-natal exige análise dos registros de atendimento na atenção básica (e-SUS AB), permitindo identificar falhas assistenciais e gerir o cuidado municipal de forma direta.
A vigilância epidemiológica moderna utiliza uma rede complexa de sistemas de informação para monitorar a saúde da população. O SINAN foca em doenças de notificação compulsória, o SIM registra a mortalidade e o SINASC os nascimentos. No entanto, para avaliar a assistência direta, o e-SUS Atenção Primária (e-SUS AB) é o sistema mais rico, pois contém a evolução clínica e o histórico de consultas. No caso da sífilis congênita, a falha no preenchimento de campos como 'tratamento do parceiro' no SINAN reflete falhas na assistência que poderiam ter sido detectadas precocemente através da auditoria do e-SUS AB. A integração e o cruzamento desses dados (linkage) são fundamentais para que o gestor de saúde identifique gargalos no fluxo de cuidado e implemente políticas públicas eficazes para redução da mortalidade materna e infantil.
O e-SUS AB é a ferramenta de registro clínico e administrativo da Atenção Primária. Ele permite ao gestor monitorar a produção das equipes, a frequência de consultas de pré-natal e a execução de protocolos clínicos, sendo essencial para auditorias de qualidade.
É a estratégia metodológica de cruzar dados de diferentes sistemas (ex: SINASC e SIM) para identificar registros duplicados ou incompletos, permitindo uma análise mais profunda de desfechos como o óbito infantil por causas evitáveis.
A notificação é compulsória e deve ser registrada no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). A investigação deve incluir dados do pré-natal, tratamento materno e do parceiro, e acompanhamento do recém-nascido.
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