POP-Q: Diagnóstico e Classificação do Prolapso Pélvico

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 53 anos, com antecedente de 5 partos vaginais prévios e menopausa há 2 anos. Procura o serviço médico com sensação de peso no períneo e de uma bola que sai pela vagina. O exame ginecológico identificou um prolapso descrito segundo o instrumento POP-Q (Pelvic Orgean Prolapse Quantification) conforme mostrado na figura a seguir. Quais os diagnósticos podem ser feitos de acordo com as anotações presentes no POP-Q?

Alternativas

  1. A) Prolapso de parede posterior, rotura perineal, histerectomia prévia.
  2. B) Prolapso de parede anterior, prolapso de cúpula vaginal, histerectomia prévia.
  3. C) Prolapso de parede posterior, prolapso uterino grau III, rotura perineal.
  4. D) Prolapso de parede anterior, prolapso uterino grau II, prolapso de parede posterior.

Pérola Clínica

POP-Q: Avalia prolapso por medidas padronizadas. Gabarito A → Prolapso parede posterior, rotura perineal, histerectomia prévia.

Resumo-Chave

O sistema POP-Q (Pelvic Organ Prolapse Quantification) é uma ferramenta padronizada para descrever e classificar o prolapso de órgãos pélvicos. As anotações no POP-Q permitem identificar diferentes tipos de prolapso (anterior, posterior, apical) e outras condições associadas, como rotura perineal e histórico de histerectomia, que influenciam o tipo e a gravidade do prolapso.

Contexto Educacional

O prolapso de órgãos pélvicos (POP) é uma condição comum, especialmente em mulheres multíparas e pós-menopausa, que causa sintomas como sensação de peso no períneo e 'bola na vagina'. O diagnóstico e a classificação precisos são fundamentais para o planejamento terapêutico. O sistema POP-Q (Pelvic Organ Prolapse Quantification) é a ferramenta padrão-ouro para essa avaliação, permitindo uma descrição objetiva e reprodutível da extensão do prolapso em diferentes compartimentos (anterior, apical e posterior), o que é crucial para a comunicação entre profissionais e para a pesquisa clínica. A fisiopatologia do POP envolve o enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico, fáscias e ligamentos, frequentemente devido a partos vaginais, envelhecimento e fatores genéticos. A avaliação clínica deve incluir a identificação de prolapsos de parede anterior (cistocele), apical (uterino ou de cúpula vaginal) e posterior (retocele ou enterocele). A rotura perineal, muitas vezes associada a partos traumáticos, é um fator de risco significativo e pode ser inferida por medidas como o corpo perineal e o hiato genital no POP-Q. Para residentes, dominar a aplicação e interpretação do POP-Q é essencial. A capacidade de identificar os diferentes tipos de prolapso e condições associadas, como a histerectomia prévia (que modifica a apresentação do prolapso apical), é um diferencial importante para a prática ginecológica e para as provas de residência. O tratamento varia desde medidas conservadoras (fisioterapia, pessários) até cirurgias corretivas, dependendo da gravidade dos sintomas e do tipo de prolapso.

Perguntas Frequentes

O que é o sistema POP-Q e para que serve?

O sistema POP-Q (Pelvic Organ Prolapse Quantification) é uma ferramenta padronizada e objetiva para descrever e classificar o prolapso de órgãos pélvicos. Ele utiliza medidas anatômicas específicas em relação ao hímen para quantificar a extensão do prolapso em diferentes compartimentos.

Como o POP-Q identifica o prolapso de parede posterior?

O prolapso de parede posterior (retocele ou enterocele) é identificado no POP-Q através das medidas dos pontos Ap (parede vaginal posterior 3 cm acima do hímen) e Bp (ponto mais distal da parede vaginal posterior). Valores positivos indicam prolapso além do hímen.

Qual a importância de registrar a histerectomia prévia no contexto do POP-Q?

A histerectomia prévia é um dado importante pois, na ausência do útero, o prolapso apical se manifesta como prolapso de cúpula vaginal. O POP-Q possui pontos específicos (C para colo/cúpula e D para fórnice posterior) que são interpretados de forma diferente após a histerectomia.

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