MedEvo Simulado — Prova 2026
Juliana, 26 anos, nuligesta, comparece à consulta de planejamento familiar com o desejo de iniciar um método contraceptivo reversível de longa duração (LARC). Ela relata que suas menstruações ocorrem em intervalos regulares, porém com fluxo muito intenso, necessitando trocar o absorvente noturno a cada 2 horas nos primeiros dias, além de apresentar dismenorreia (cólica) moderada a grave. Ao exame físico, o útero tem volume normal e não há alterações cervicais. Ela traz os seguintes exames laboratoriais: | Exame | Resultado | Valor de Referência | |:---|:---:|:---:| | Hemoglobina | 10,5 g/dL | 12,0 - 15,5 g/dL | | Ferritina | 10 ng/mL | 15 - 150 ng/mL | | Beta-HCG | Negativo | Negativo | | Citopatológico | Negativo para malignidade | - | Considerando o quadro clínico e o desejo da paciente, a conduta mais adequada é a indicação de:
Fluxo intenso + Dismenorreia + Anemia → SIU-LNG (reduz fluxo e dor).
O SIU-LNG é o LARC de escolha para pacientes com Sangramento Uterino Anormal (SUA) e dismenorreia, pois promove atrofia endometrial, reduzindo o volume menstrual e tratando a anemia.
O manejo do Sangramento Uterino Anormal (SUA) em mulheres que desejam contracepção deve priorizar métodos que ofereçam controle do ciclo e redução da perda sanguínea. O SIU-LNG (Mirena/Kyleena) atua como um tratamento clínico altamente eficaz para a menorragia idiopática, sendo muitas vezes a alternativa preferencial antes de intervenções cirúrgicas. Além da eficácia contraceptiva superior aos métodos orais (por não depender da adesão diária), o SIU-LNG oferece benefícios não contraceptivos cruciais para a saúde hematológica. Em pacientes com anemia ferropriva instalada (Hb 10,5 e ferritina baixa), a redução do efluxo menstrual é o pilar para a recuperação dos estoques de ferro e melhora da qualidade de vida.
O SIU-LNG libera levonorgestrel localmente, causando atrofia do endométrio e redução de até 90% no volume do fluxo menstrual após os primeiros meses de uso. Isso é terapêutico para pacientes com anemia ferropriva secundária a hipermenorreia. Em contraste, o DIU de cobre é conhecido por aumentar o volume e a duração do sangramento menstrual, além de poder intensificar a dismenorreia, sendo contraindicado nestes casos.
Sim, as diretrizes modernas da FEBRASGO e do ACOG afirmam que os LARCs (DIUs e implantes) são opções de primeira linha para nuligestas. O risco de expulsão ou infecção não é significativamente maior nesse grupo quando comparado a multíparas. Os benefícios de alta eficácia contraceptiva (índice de Pearl comparável à laqueadura) e conveniência superam amplamente os riscos, especialmente em pacientes com queixas menstruais.
O levonorgestrel liberado pelo sistema reduz a proliferação endometrial e, consequentemente, a produção local de prostaglandinas durante o ciclo menstrual. Como as prostaglandinas são as principais mediadoras da dor na dismenorreia primária, a maioria das usuárias de SIU-LNG experimenta uma melhora significativa ou até a resolução completa das cólicas menstruais, frequentemente evoluindo para amenorreia ou oligomenorreia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo