UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2023
Seu André tem 62 anos. Vem a USF devido a um quadro de tosse e expectoração. No acolhimento, é classificado como síndrome gripal, em meio ao momento de aumento de casos de COVID, e encaminhado para atendimento médico do dia. Na consulta, Seu André que é eletricista e procedente de João Pessoa, refere a doutor Bruno que está tosse há 2 meses com secreção esbranquiçada, principalmente, na madrugada. Chega a usar um recipiente ao lado da cama para escarrar a secreção. Além disso, relata que tudo começou há vários meses com um desconforto no peito e tosse seca há vários meses. Nega febre durante todo esse tempo e que não teve alteração do seu peso. Além disso, é tabagista desde os 16 anos de idade. Considerando o caso descrito, assinale a melhor alternativa:
Tosse > 3 semanas (ou 2 semanas em alguns contextos) = Sintomático respiratório → Investigar TB (baciloscopia/TRM-TB).
Um paciente com tosse e expectoração por mais de 2-3 semanas, especialmente se tabagista e em área endêmica, deve ser classificado como sintomático respiratório e ter a tuberculose ativamente investigada, mesmo na ausência de febre ou perda de peso.
A tuberculose (TB) pulmonar continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil, e seu diagnóstico precoce é fundamental para o controle da doença e a interrupção da cadeia de transmissão. A definição de "sintomático respiratório" é uma ferramenta crucial para a triagem e investigação ativa de casos suspeitos. Um sintomático respiratório é classicamente definido como um indivíduo com tosse e expectoração por três semanas ou mais, embora em alguns contextos de alta prevalência, esse período possa ser reduzido para duas semanas. No caso de Seu André, com tosse e expectoração há dois meses, ele se enquadra perfeitamente na definição de sintomático respiratório, independentemente de outros sintomas como febre ou perda de peso, que podem estar ausentes em formas atípicas ou em fases iniciais da doença. Seu histórico de tabagismo e a procedência de uma capital brasileira (João Pessoa) aumentam a suspeita de TB. A conduta mais adequada é a investigação imediata da tuberculose pulmonar através da coleta de duas amostras de escarro para baciloscopia (pesquisa de BAAR) e/ou Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB), que oferece diagnóstico mais rápido e detecção de resistência à rifampicina. Descartar a TB com base apenas na ausência de febre ou classificá-lo como síndrome gripal seria um erro grave, atrasando o diagnóstico e aumentando o risco de transmissão e complicações. O rastreamento para câncer de pulmão é importante para tabagistas, mas a investigação da TB é prioritária neste cenário.
Sintomático respiratório é todo indivíduo com tosse e expectoração por três semanas ou mais (ou duas semanas em alguns programas de controle de TB), independentemente de outros sintomas como febre ou perda de peso.
Tabagismo é um fator de risco para tuberculose, e a tosse crônica é o sintoma cardinal. A TB pode mimetizar outras condições respiratórias crônicas, como DPOC, e a ausência de febre ou perda de peso não exclui o diagnóstico.
Os exames iniciais são a baciloscopia de escarro (duas amostras) e/ou o Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB), que detecta o DNA do Mycobacterium tuberculosis e resistência à rifampicina.
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