Menopausa: Manejo de Sintomas Vasomotores sem TRH

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2020

Enunciado

Dr Júlio está em seu primeiro dia de trabalho numa equipe de Saúde da Família. A primeira paciente a ser atendida por ele é a Dona Joana, de 52 anos. Ela se queixa de 'calorões' intensos que vêm de forma súbita, mais presentes em tronco e face, com duração de alguns minutos, desde o último ano. Chega a acordar pela madrugada em diversas noites devido a esses sintomas, percebendo palpitações e sudorese importante nessas ocasiões. Além disso, relata dispareunia e sensação de prurido com ressecamento vaginal. No último ano, apresentou três episódios de infecções urinárias: '""eu nunca tive isso antes, doutor!''. Quando questionada sobre seus ciclos menstruais, relata que seu último fluxo aconteceu há cerca de 12 meses. Joana nega histerectomia prévia, nega tratamentos anteriores para os sintomas relatados e relata receio de hormonioterapia: ''prefiro não mexer com essas coisas de hormônios, doutor!''. A respeito da abordagem terapêutica da condição associada aos sintomas de Dona Joana, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) para os sintomas vasomotores, podem ser utilizados fitoterápicos como isoflavona de soja, amora branca e espinheira santa com efeitos igualmente eficazes
  2. B) caso haja opção por terapia de reposição hormonal, deve-se optar pelo estrogênio isoladamente, uma vez que dona Joana não é histerectomizada
  3. C) antidepressivos, como inibidores seletivos da recaptação da serotonina e inibidores da recaptação da norepinefrina e serotonina podem ser indicados para os sintomas vasomotores
  4. D) como Joana tem sintomas vasomotores associados com manifestações de atrofia urogenital e infecções urinárias de repetição, a melhor opção inicial seria o uso de estriol tópico vaginal

Pérola Clínica

Menopausa com sintomas vasomotores e recusa TRH → ISRS/IRSN são opção eficaz para fogachos.

Resumo-Chave

Para mulheres na menopausa com sintomas vasomotores intensos que não podem ou não querem usar terapia de reposição hormonal, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e os inibidores da recaptação de norepinefrina e serotonina (IRSN) são uma alternativa eficaz para o controle dos fogachos.

Contexto Educacional

A menopausa é um período fisiológico na vida da mulher caracterizado pela cessação dos ciclos menstruais e pela diminuição da produção hormonal ovariana, principalmente de estrogênio. Essa transição pode ser acompanhada por uma série de sintomas que impactam significativamente a qualidade de vida, sendo os sintomas vasomotores (fogachos e sudorese noturna) e a atrofia urogenital (ressecamento vaginal, dispareunia, infecções urinárias de repetição) os mais prevalentes. A terapia de reposição hormonal (TRH) é o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa. No entanto, nem todas as mulheres são candidatas à TRH devido a contraindicações (como histórico de câncer de mama ou eventos tromboembólicos) ou por preferência pessoal, como no caso de Dona Joana. Nesses cenários, é crucial conhecer as alternativas terapêuticas não hormonais. Para o manejo dos sintomas vasomotores, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e os inibidores da recaptação de norepinefrina e serotonina (IRSN), como a venlafaxina, paroxetina e desvenlafaxina, demonstraram eficácia comprovada na redução da frequência e intensidade dos fogachos. Embora o estriol tópico vaginal seja excelente para sintomas de atrofia urogenital isolados, ele não aborda os sintomas vasomotores sistêmicos. Fitoterápicos, por sua vez, geralmente não possuem evidência científica robusta de eficácia comparável à TRH ou aos antidepressivos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns da menopausa?

Os sintomas mais comuns da menopausa incluem sintomas vasomotores (fogachos, sudorese noturna), atrofia urogenital (ressecamento vaginal, dispareunia, infecções urinárias de repetição), alterações de humor e distúrbios do sono.

Quando a terapia de reposição hormonal (TRH) é contraindicada ou não desejada?

A TRH é contraindicada em casos de câncer de mama ou endométrio, doença tromboembólica prévia, doença hepática grave, sangramento vaginal inexplicado. Muitas pacientes também optam por não usá-la devido a preocupações com riscos.

Quais alternativas não hormonais existem para os fogachos da menopausa?

Além dos ISRS e IRSN (como venlafaxina, paroxetina), outras opções incluem gabapentina e clonidina. Modificações no estilo de vida, como evitar gatilhos e manter um ambiente fresco, também podem ajudar.

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