DRGE em Jovens: Quando Indicar Endoscopia Digestiva Alta?

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 23 anos, previamente hígido, sem comorbidades e peso basal de 60 Kg, Procura atendimento médico com queixa de pirose e regurgitação ácida há 3 meses. Relata também emagrecimento de 9 Kg no período. Qual a conduta mais adequada em relação à investigação diagnóstica deste paciente:

Alternativas

  1. A) Uma vez que se trata de um paciente jovem (< 40 anos) o mais adequado seria a prescrição de um inibidor de bomba de prótons.
  2. B) Mesmo sendo um paciente jovem a Endoscopia Digestiva Alta tem importante indicação clínica diagnóstica, uma vez que o paciente apresenta emagrecimento significativo.
  3. C) Realizar uma esofagografia tem importância relevante na investigação clínica diagnóstica.
  4. D) Realizar uma pHmetria esofágica, como exame inicial, para corroborar o diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).
  5. E) O tratamento com inibidores de bomba de prótons e pró-cinéticos faz-se imperativo nesse contexto, sendo dispensável a realização de endoscopia digestiva alta. Tal exame apenas seria indicado caso não ocorra melhora clínica.

Pérola Clínica

DRGE em jovem com sintomas de alarme (ex: emagrecimento) → Endoscopia Digestiva Alta imediata.

Resumo-Chave

Em pacientes jovens com sintomas de DRGE, a presença de sinais de alarme como emagrecimento inexplicado, disfagia, odinofagia, anemia ou hemorragia digestiva, exige investigação imediata com Endoscopia Digestiva Alta para excluir condições mais graves, como malignidade ou esofagite grave.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum, mas a abordagem diagnóstica varia conforme a idade e a presença de sintomas de alarme. Em pacientes jovens (<40-50 anos) sem sinais de alarme, o tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) é frequentemente a conduta inicial. No entanto, a presença de qualquer sintoma de alarme, como disfagia, odinofagia, emagrecimento inexplicado, anemia, hemorragia digestiva ou vômitos persistentes, muda drasticamente a conduta. A fisiopatologia da DRGE envolve a falha dos mecanismos antirrefluxo, permitindo o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago. O diagnóstico é clínico, mas a endoscopia digestiva alta (EDA) é crucial na presença de sinais de alarme para excluir complicações como esofagite erosiva grave, estenose, esôfago de Barrett ou malignidade. A EDA permite a visualização direta da mucosa e a realização de biópsias. O tratamento da DRGE sem sinais de alarme geralmente envolve modificações de estilo de vida e IBP. Contudo, a identificação precoce de sinais de alarme e a indicação adequada da EDA são fundamentais para o prognóstico, especialmente para detectar condições pré-malignas ou malignas em estágios iniciais, garantindo a melhor abordagem terapêutica e melhorando os resultados para o paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas de alarme na DRGE que indicam endoscopia?

Os sintomas de alarme incluem disfagia, odinofagia, emagrecimento inexplicado, anemia, hemorragia digestiva e vômitos persistentes.

Por que o emagrecimento é um sinal de alarme importante na DRGE?

O emagrecimento inexplicado pode indicar uma condição subjacente mais grave, como malignidade esofágica ou gástrica, que requer investigação imediata.

Qual a conduta inicial para DRGE em pacientes jovens sem sinais de alarme?

Nesses casos, a conduta inicial pode ser o tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) por 4-8 semanas, com reavaliação clínica.

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