Dispepsia em Idosos: Quando Indicar Endoscopia Digestiva Alta

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020

Enunciado

Senhora de 75 anos, branca, procura UPA com queixa de dor epigástrica há 4 meses. Ela relata que inicialmente melhorava com uso de ranitidina, mas há cerca de 1 mês passou a apresentar vômitos diários. Queixa-se também de perda de peso, halitose e mal estar geral. Diante do exposto acima, assinale a alternativa correta na condução do caso:

Alternativas

  1. A) Orientar uma alimentação mais branda e solicitar uma endoscopia digestiva alta, mantendo a ranitidina.
  2. B) Sabendo que o omeprazol é mais efetivo no tratamento da dispepsia, deve ser indicado seu uso associado a domperidona. Solicitar endoscopia digestiva alta após quatro semanas de tratamento medicamentoso.
  3. C) O hidróxido de alumínio tem efeito rápido, devendo ser indicado nesta fase aguda, associado a orientação alimentar e retorno, se não houver melhora, para reavaliação em quatro semanas.
  4. D) Dobrar a dose da ranitidina, associar domperidona e deixar antiácido se ainda apresentar persistência da plenitude. 

Pérola Clínica

Dispepsia em idoso com sintomas de alarme (vômitos, perda peso) → Endoscopia digestiva alta URGENTE.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com dispepsia e sintomas de alarme como vômitos persistentes, perda de peso e halitose, a investigação com endoscopia digestiva alta é mandatória para excluir malignidade ou outras causas graves, mesmo que haja melhora inicial com antiácidos.

Contexto Educacional

A dispepsia é uma queixa comum, definida como dor ou desconforto centrado no abdome superior. Em pacientes jovens sem sintomas de alarme, o tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) ou antagonistas H2 pode ser apropriado. No entanto, a presença de "sintomas de alarme" muda drasticamente a conduta, especialmente em idosos, devido ao risco aumentado de condições graves como malignidades gastrointestinais. Os sintomas de alarme incluem perda de peso inexplicada, disfagia, odinofagia, vômitos persistentes, sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena), anemia ferropriva e massa abdominal palpável. A fisiopatologia da dispepsia pode variar de funcional a orgânica. Em casos com sintomas de alarme, a suspeita de úlcera péptica complicada, esofagite grave ou, mais preocupantemente, câncer de esôfago ou estômago, exige investigação imediata. A conduta nesses casos é a realização de uma endoscopia digestiva alta (EDA) sem demora. A EDA permite a visualização direta da mucosa, biópsias para histopatologia e, se necessário, intervenções terapêuticas. Manter a medicação sintomática (como ranitidina) pode ser feito para conforto do paciente, mas não deve atrasar a investigação diagnóstica definitiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas de alarme na dispepsia?

Os sintomas de alarme incluem perda de peso inexplicada, disfagia, odinofagia, vômitos persistentes, sangramento gastrointestinal, anemia e massa abdominal palpável.

Por que a endoscopia digestiva alta é crucial em idosos com dispepsia e sintomas de alarme?

Em idosos, a presença de sintomas de alarme aumenta significativamente o risco de malignidade (câncer gástrico ou esofágico), tornando a endoscopia essencial para um diagnóstico precoce e preciso.

Qual o papel dos inibidores de bomba de prótons (IBP) na dispepsia com sintomas de alarme?

IBPs podem aliviar os sintomas, mas não devem atrasar a investigação em pacientes com sintomas de alarme, pois podem mascarar condições graves como câncer. A investigação deve preceder ou ser concomitante ao tratamento empírico.

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