Zona Fasciculada da Suprarrenal: Ultraestrutura e Esteroidogênese

MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025

Enunciado

Um patologista analisa uma biópsia da glândula suprarrenal de um paciente com suspeita de Síndrome de Cushing (hipercortisolismo). Ao observar as células da zona fasciculada sob microscopia eletrônica, nota-se uma rede extremamente desenvolvida de túbulos membranosos anastomosados, que se apresentam lisos e desprovidos de ribossomos em sua superfície citoplasmática. Além disso, observam-se numerosas gotículas lipídicas dispersas no citoplasma. Essa característica ultraestrutural específica está diretamente relacionada à função dessas células na:

Alternativas

  1. A) Síntese e secreção de enzimas digestivas ricas em aminoácidos.
  2. B) Produção de hormônios esteroides a partir do colesterol.
  3. C) Glicosilação terminal e endereçamento de proteínas lisossomais.
  4. D) Degradação de macromoléculas através de hidrolases ácidas.

Pérola Clínica

Células que sintetizam 'gordura' (esteroides) têm muito REL; células que sintetizam 'carne/enzimas' (proteínas) têm muito RER.

Contexto Educacional

A glândula suprarrenal é dividida em córtex e medula, sendo o córtex composto por três zonas distintas. A zona fasciculada é a camada média e mais larga, responsável pela secreção de glicocorticoides, principalmente o cortisol, sob estímulo do ACTH. Ultraestruturalmente, essas células são especializadas na manipulação de lipídios, apresentando um retículo endoplasmático liso (REL) altamente desenvolvido e mitocôndrias com cristas tubulares únicas. O aspecto espongiócito observado na microscopia óptica deve-se à dissolução das gotículas lipídicas durante o preparo histológico, deixando espaços vazios no citoplasma. Essas gotículas contêm o colesterol necessário para a esteroidogênese, que ocorre através de uma cooperação entre o REL e as mitocôndrias. Alterações nessa zona, como hiperplasia ou adenomas, são causas frequentes de hipercortisolismo endógeno, manifestando-se clinicamente como Síndrome de Cushing.

Perguntas Frequentes

Por que o REL não possui ribossomos?

Porque sua função principal não envolve a tradução de proteínas que precisam ser inseridas em membranas ou secretadas, mas sim processos enzimáticos ligados a lipídios e desintoxicação.

Onde mais o REL é abundante?

No fígado (hepatócitos) para desintoxicação e no músculo estriado (onde é chamado de retículo sarcoplasmático) para estocar cálcio.

Como diferenciar REL de Golgi na microscopia?

O REL é uma rede de túbulos ramificados (3D), enquanto o Golgi é um empilhamento de cisternas achatadas e curvas (como pratos empilhados).

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