HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024
Menino de 5 anos de idade é levado ao pronto-socorro por dor na perna direita há 2 dias. Segundo a acompanhante, está “puxando a perna direita”, algumas vezes tendo que parar de andar devido a dor. Ao ser questionado sobre o local da dor, a criança aponta para o quadril direito e face medial da coxa direita. Nega traumas locais ou febre. Quando interrogada de outros acontecimentos, a acompanhante relata resfriado há 15 dias, tratado apenas com sintomáticos. Ao exame físico, observa-se postura de flexão do quadril direito, com dor à movimentação local e limitação à rotação interna. Sem outras alterações. Os exames complementares mostram hemograma sem alterações, VHS discretamente aumentado, radiografias de perna e quadril direitos sem alterações. Diante da história, qual é o diagnóstico e o tratamento?
Criança <10 anos com dor no quadril pós-infecção viral e RX normal → Sinovite transitória.
A sinovite transitória do quadril é a causa mais comum de dor no quadril em crianças, frequentemente precedida por infecção viral de vias aéreas superiores. O diagnóstico é de exclusão, com exames laboratoriais e de imagem geralmente normais ou com alterações leves.
A Sinovite Transitória do Quadril (STQ) é a causa mais frequente de dor no quadril em crianças, acometendo principalmente meninos entre 3 e 10 anos. Caracteriza-se por uma inflamação autolimitada da membrana sinovial da articulação coxofemoral, frequentemente precedida por uma infecção viral de vias aéreas superiores ou trauma leve nas semanas anteriores. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas acredita-se em um mecanismo inflamatório pós-infeccioso. O diagnóstico da STQ é clínico e de exclusão. A criança apresenta dor no quadril, coxa ou joelho, claudicação e limitação da rotação interna e abdução do quadril afetado. Geralmente não há febre alta ou sinais de toxicidade. Exames laboratoriais podem mostrar VHS ou PCR discretamente elevados, mas o hemograma costuma ser normal. Radiografias do quadril são normais, e a ultrassonografia pode revelar derrame articular, mas não é patognomônica. É crucial diferenciar da artrite séptica, uma emergência ortopédica que requer tratamento imediato. O tratamento da STQ é conservador, baseado em repouso relativo e analgesia com anti-inflamatórios não esteroidais (AINES). A recuperação é geralmente completa em 7 a 10 dias, sem sequelas. O prognóstico é excelente, mas há uma pequena chance de recorrência. O acompanhamento é importante para garantir a resolução dos sintomas e excluir outras patologias mais graves que possam ter sido mascaradas inicialmente.
Os critérios de Kocher (febre >38.5°C, incapacidade de suportar peso, VHS >40 mm/h, leucocitose >12.000/mm³) ajudam a diferenciar; a presença de 3-4 critérios aumenta a probabilidade de artrite séptica, que é uma emergência.
O tratamento é conservador, com repouso relativo, analgesia com anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) e observação. A maioria dos casos se resolve espontaneamente em 7-10 dias, sem sequelas.
Outras causas importantes incluem doença de Legg-Calvé-Perthes, epifisiólise da cabeça femoral, artrite idiopática juvenil, osteomielite, tumores ósseos e fraturas ocultas, que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial.
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