UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Menino, 3a, é trazido para consulta por estar mancando há um dia. Mãe acha que está com dor na perna. Nega trauma, febre ou outras queixas. Antecedentes: nega comorbidades ou uso de medicamentos, refere um resfriado comum há duas semanas. Carteira vacinal atualizada. Exame físico: bom estado geral; afebril; eupneico; hidratado; anictérico; boa perfusão periférica; IMC=+1z escore; marcha claudicante; quadris livres; articulações de membros inferiores sem edema, eritema ou bloqueio articular. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Criança <10a, claudicação aguda, afebril, pós-infecção viral → Sinovite Transitória do Quadril.
O quadro clínico de um menino de 3 anos com claudicação aguda, sem febre ou trauma, e com histórico recente de infecção viral de vias aéreas superiores, é altamente sugestivo de Sinovite Transitória do Quadril. Esta é uma condição benigna e autolimitada, comum em crianças pequenas, que se manifesta como dor no quadril ou joelho e claudicação.
A claudicação em crianças é uma queixa comum na prática pediátrica e ortopédica, exigindo uma abordagem diagnóstica cuidadosa para diferenciar causas benignas de condições graves. A sinovite transitória do quadril é a causa mais frequente de dor no quadril e claudicação em crianças de 3 a 10 anos, sendo caracterizada por uma inflamação autolimitada da membrana sinovial da articulação do quadril. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas frequentemente está associada a infecções virais recentes de vias aéreas superiores, sugerindo um mecanismo pós-infeccioso ou inflamatório. O diagnóstico é clínico, baseado na história de claudicação aguda, dor no quadril ou joelho, ausência de febre ou sinais sistêmicos de infecção grave, e um exame físico que revela limitação dolorosa da abdução e rotação interna do quadril, mas sem bloqueio articular significativo. Exames complementares, como ultrassonografia do quadril, podem mostrar derrame articular, e exames laboratoriais (hemograma, PCR, VHS) são geralmente normais ou minimamente alterados, ajudando a excluir artrite séptica. O tratamento da sinovite transitória é conservador, com repouso relativo e uso de analgésicos ou anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para alívio da dor. A condição é autolimitada, com resolução completa dos sintomas em uma a duas semanas. É fundamental tranquilizar os pais e orientar sobre a benignidade do quadro, mas também alertar para sinais de alerta que possam indicar uma condição mais grave, como febre persistente, piora da dor ou incapacidade de apoiar o membro, que exigiriam reavaliação.
A sinovite transitória manifesta-se tipicamente com claudicação (manqueira) de início agudo, dor no quadril ou joelho (referida), e geralmente ocorre após uma infecção viral de vias aéreas superiores. A criança costuma estar afebril e em bom estado geral.
A diferenciação é crucial. Na sinovite transitória, a criança geralmente está afebril, com bom estado geral, e os exames laboratoriais (hemograma, PCR, VHS) são normais ou discretamente alterados. Na artrite séptica, há febre alta, toxemia, dor intensa, recusa de apoio e exames laboratoriais com marcadores inflamatórios muito elevados.
A sinovite transitória é uma condição autolimitada e benigna. O tratamento é sintomático, com repouso e analgésicos/anti-inflamatórios não esteroides. A recuperação completa ocorre geralmente em 7 a 10 dias, sem sequelas a longo prazo.
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