Infertilidade Feminina: Diagnóstico e Tratamento de Sinéquias

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Considerando o diagnóstico de infertilidade, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) Caso a mulher tenha sofrido um aborto em sua primeira gestação e esteja há um ano em tentativa sem sucesso de engravidar novamente, classifica-se a infertilidade como primária.
  2. B) Para a investigação da infertilidade primária, são necessários: história clínica, exame físico, ecografia transvaginal, histerossalpingografia e exames de reserva ovariana/fator ovulatório, o que permite classificar a infertilidade em uma das cinco categorias causais possíveis.
  3. C) A presença de sinéquias uterinas, decorrentes de abortamento anterior ou de cirurgias pélvicas, pode ser considerada uma causa possível para a infertilidade, sendo a histeroscopia o melhor exame para avaliação e tratamento das sinéquias.
  4. D) A histerossonografia é considerada, atualmente, o exame padrão ouro para o diagnóstico de infertilidade pelo fator tubário.

Pérola Clínica

Sinéquias uterinas → causa de infertilidade. Histeroscopia = padrão ouro para diagnóstico e tratamento.

Resumo-Chave

Sinéquias uterinas, frequentemente decorrentes de traumas endometriais (abortamentos, cirurgias), podem impedir a implantação embrionária. A histeroscopia permite visualizar diretamente a cavidade uterina, diagnosticar as sinéquias e realizar sua lise no mesmo procedimento, sendo crucial para o manejo do fator uterino de infertilidade.

Contexto Educacional

A infertilidade é um desafio crescente na prática clínica, afetando cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva. Sua investigação é complexa e multifatorial, envolvendo fatores femininos (ovulatório, tubário, uterino, peritoneal) e masculinos. O entendimento da classificação (primária vs. secundária) e das etapas diagnósticas é fundamental para direcionar a conduta e otimizar os resultados para os pacientes. O fator uterino, embora menos comum que o ovulatório ou tubário, é crucial e muitas vezes tratável. Sinéquias uterinas, ou aderências intrauterinas, são uma causa importante, frequentemente resultantes de curetagens pós-abortamento, infecções ou cirurgias uterinas. Elas podem obliterar a cavidade uterina, impedindo a implantação ou causando abortos de repetição. A histeroscopia é o método diagnóstico e terapêutico de escolha, permitindo a visualização direta e a lise das aderências. O manejo da infertilidade exige uma abordagem sistemática, iniciando com história clínica detalhada e exame físico, seguido por exames complementares como ultrassonografia transvaginal, histerossalpingografia, avaliação da reserva ovariana e espermograma. A identificação precoce e o tratamento adequado das sinéquias uterinas por histeroscopia podem restaurar a anatomia uterina e melhorar significativamente as chances de gestação, destacando a importância de um diagnóstico preciso e intervenção oportuna.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de infertilidade por fator uterino?

As principais causas incluem sinéquias uterinas (aderências), miomas submucosos, pólipos endometriais, malformações uterinas congênitas e adenomiose. Todas podem interferir na implantação embrionária ou no transporte de gametas.

Quando a histeroscopia é indicada na investigação da infertilidade?

A histeroscopia é indicada quando há suspeita de patologias intracavitárias, como sinéquias, pólipos ou miomas, especialmente após achados alterados em exames como ultrassonografia transvaginal ou histerossalpingografia, ou em casos de falha de implantação em ciclos de reprodução assistida.

Qual a diferença entre infertilidade primária e secundária?

A infertilidade primária é definida pela incapacidade de engravidar após 12 meses de tentativas sem sucesso em mulheres que nunca engravidaram. A infertilidade secundária ocorre quando a mulher já teve pelo menos uma gestação prévia, independentemente de seu desfecho (parto, aborto ou ectópica), e não consegue engravidar novamente após 12 meses de tentativas.

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