HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2020
Um homem de 78 anos de idade com histórico de câncer de próstata apresenta-se ao pronto-socorro com fraqueza que afeta o braço e a perna direita e a face esquerda. A fraqueza começou abruptamente mais cedo durante o dia e está associada a dormência e parestesias. No exame físico, a força é de 4/5 na perna e no braço direito. Os músculos faciais superior e inferior não se movem à esquerda. O sinal de Babinski é positivo. A sensação diminui nas extremidades direitas e na face esquerda. Com base nessas informações, qual é o local mais provável da lesão que está causando os sintomas do paciente?
Fraqueza hemiparesia contralateral + paralisia facial ipsilateral = lesão de tronco cerebral (síndrome alternada).
A apresentação de fraqueza no braço e perna de um lado do corpo (contralateral à lesão) e paralisia facial no lado oposto (ipsilateral à lesão) é característica de uma síndrome alternada, que localiza a lesão no tronco cerebral, onde as vias motoras cruzam.
O tronco cerebral é uma estrutura vital que conecta o cérebro à medula espinhal, contendo núcleos de nervos cranianos, vias motoras e sensitivas ascendentes e descendentes, e centros vitais para respiração e circulação. Lesões nesta região, como acidentes vasculares cerebrais (AVCs) ou metástases (como no caso de câncer de próstata), podem causar síndromes neurológicas complexas e características. A fisiopatologia das síndromes de tronco cerebral está relacionada à compactação de múltiplas vias e núcleos em um espaço pequeno. A característica "síndrome alternada" ocorre porque as vias motoras (trato corticoespinhal) cruzam na decussação das pirâmides no bulbo, enquanto os núcleos dos nervos cranianos permanecem ipsilaterais à lesão. Assim, uma lesão no tronco cerebral pode afetar um nervo craniano no lado da lesão e as vias motoras para o corpo no lado oposto. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na localização dos déficits neurológicos, e confirmado por exames de imagem como ressonância magnética. O manejo depende da etiologia, podendo incluir tratamento para AVC isquêmico, controle de metástases ou outras intervenções. A rápida identificação é crucial devido ao risco de comprometimento de funções vitais.
Uma síndrome alternada é caracterizada por déficits motores ou sensitivos em um lado do corpo (contralateral à lesão) e déficits de nervos cranianos no lado oposto (ipsilateral à lesão).
As principais vias que cruzam no tronco cerebral são o trato corticoespinhal (motor) e o lemnisco medial (sensitivo), além de núcleos de nervos cranianos.
Lesões de tronco cerebral causam síndromes alternadas. AVCs corticais ou subcorticais tipicamente afetam o corpo e a face contralateralmente à lesão, sem a dissociação ipsilateral/contralateral.
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