AVE e Síndromes de Tronco Cerebral: Lesão Mesencefálica

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 56 anos de idade com antecedência de hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e diabetes, apresentou acidente vascular encefálico agudo. Ao exame clínico neurológico foi observado ptose palpebral e midríase, ambas à esquerda com acuidade visual preservada, e hemiparesia incompleta e proporcionada à direita. Este paciente apresenta lesão no(a):

Alternativas

  1. A) Ponte
  2. B) Mesencéfalo
  3. C) Bulbo
  4. D) Lobo frontal esquerdo

Pérola Clínica

Ptose + midríase unilateral + hemiparesia contralateral → lesão mesencefálica (Síndrome de Weber).

Resumo-Chave

A combinação de ptose palpebral e midríase ipsilateral (indicando lesão do III nervo craniano) com hemiparesia contralateral sugere fortemente uma lesão no mesencéfalo. Essa apresentação é clássica da Síndrome de Weber, onde a lesão afeta o núcleo do III nervo craniano e o trato corticoespinhal no pedúnculo cerebral.

Contexto Educacional

O diagnóstico topográfico de lesões neurológicas é fundamental para a compreensão e manejo do acidente vascular encefálico (AVE). O caso clínico apresenta uma combinação de sinais que apontam para uma localização específica no tronco cerebral. A ptose palpebral e a midríase à esquerda indicam uma disfunção do III nervo craniano (oculomotor) ipsilateral à lesão. A hemiparesia incompleta e proporcionada à direita, por sua vez, sugere um comprometimento do trato corticoespinhal contralateral à les lesão. Essa combinação clássica de paralisia ipsilateral do III nervo craniano e hemiparesia contralateral é conhecida como Síndrome de Weber, que é causada por uma lesão no mesencéfalo. No mesencéfalo, o núcleo do III nervo craniano e as fibras do trato corticoespinhal (que cruzam mais abaixo no bulbo) estão anatomicamente próximos. Uma lesão nessa região pode afetar ambas as estruturas simultaneamente. As outras alternativas são menos prováveis: lesões na ponte ou no bulbo afetariam outros nervos cranianos (V, VI, VII, VIII na ponte; IX, X, XI, XII no bulbo) e poderiam apresentar síndromes motoras diferentes. Uma lesão no lobo frontal esquerdo causaria hemiparesia direita, mas não explicaria a ptose e midríase à esquerda, que são sinais de tronco cerebral. Portanto, a correlação anatômica dos sintomas é crucial para o diagnóstico topográfico correto.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas de uma lesão no mesencéfalo?

As lesões mesencefálicas podem causar paralisia do III nervo craniano (ptose, midríase, desvio ocular), hemiparesia contralateral, ataxia e, dependendo da localização, alterações do nível de consciência e movimentos anormais.

O que é a Síndrome de Weber e qual sua importância clínica?

A Síndrome de Weber é uma síndrome mesencefálica caracterizada por paralisia ipsilateral do III nervo craniano (ptose, midríase, oftalmoplegia) e hemiparesia contralateral. É causada por lesões que afetam o núcleo do III nervo e o trato corticoespinhal no pedúnculo cerebral, frequentemente por AVE isquêmico.

Como diferenciar lesões de ponte, bulbo e mesencéfalo?

A diferenciação se baseia nos nervos cranianos e tratos longos afetados. Lesões de ponte podem causar paralisia do V, VI, VII e VIII nervos, além de hemiparesia. Lesões de bulbo afetam IX, X, XI, XII nervos e podem causar síndromes cruzadas. Lesões mesencefálicas afetam principalmente o III e IV nervos.

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