Síndromes Paraneoplásicas: Diagnóstico e Conduta

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

As células neoplásicas podem produzir uma variedade de produtos capazes de estimular respostas hormonais, hematológicas, dermatológicas, reumatológicas, renais e neurológicas. Dentre as síndromes paraneoplásicas mais comuns, considere as alternativas a seguir e indique a correta:

Alternativas

  1. A) Trombocitose, eosinofilia e granulocitose são achados frequentes em pacientes neoplásicos e, excluídas causas secundárias como infecções ou parasitoses, não requerem tratamento direto além do direcionado ao câncer.
  2. B) A hipercalcemia humoral do câncer pode cursar com aumento acentuado do cálcio sérico levando a fadiga, alteração do estado mental, desidratação e nefrolitíase – nestes casos observa-se grande aumento do PTH sérico.
  3. C) Em neoplasias malignas onde ocorre produção ectópica de gonadotrofina coriônica humana (hCG) é necessária a ablação completa de órgãos germinativos em homens ou mulheres, devido ao risco de recidiva tumoral futura.
  4. D) Fraqueza, letargia, náuseas, alteração do estado mental e convulsões podem ser sintomas de SIADH associada a neoplasia, no qual o excesso de vasopressina provoca níveis supra fisiológicos de sódio, chegando a níveis superiores a 150 mEq/L em casos graves.
  5. E) A trombose venosa profunda e a embolia pulmonar são os distúrbios trombóticos mais comuns nos pacientes com câncer e pacientes com diagnóstico neoplásico devem receber quimioprofilaxia contra TEV durante o tratamento, mesmo fora do ambiente hospitalar.

Pérola Clínica

Paraneoplasia hematológica (trombocitose/eosinofilia) → Tratar o tumor primário, não o achado isolado.

Resumo-Chave

Síndromes paraneoplásicas resultam da produção de substâncias pelo tumor ou resposta imune; alterações hematológicas são comuns e geralmente resolvem com o tratamento da neoplasia de base.

Contexto Educacional

As síndromes paraneoplásicas são manifestações sistêmicas que ocorrem em locais distantes do tumor primário ou de suas metástases. Elas podem preceder o diagnóstico do câncer em meses e servir como marcadores de recidiva. O reconhecimento dessas síndromes é vital, pois podem causar mais morbidade que o próprio tumor. Alterações hematológicas como eosinofilia, granulocitose e trombocitose são frequentemente encontradas e, uma vez excluídas causas secundárias (infecções, parasitoses), são consideradas paraneoplásicas. O tratamento dessas alterações é direcionado exclusivamente à neoplasia subjacente, não sendo necessária intervenção direta nos níveis celulares hematológicos.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar hipercalcemia paraneoplásica de hiperparatireoidismo?

Na hipercalcemia humoral do câncer, o tumor secreta PTHrp (proteína relacionada ao PTH), que eleva o cálcio mas suprime a produção de PTH endógeno pelas paratireoides. No hiperparatireoidismo primário, tanto o cálcio quanto o PTH estão elevados.

Qual o manejo da SIADH em pacientes oncológicos?

O tratamento foca na restrição hídrica e, em casos graves ou refratários, uso de antagonistas do receptor de vasopressina (vaptanos) ou solução salina hipertônica, além do tratamento definitivo da neoplasia causadora, como o carcinoma de pulmão de pequenas células.

Por que ocorre trombocitose no câncer?

Muitas neoplasias produzem citocinas inflamatórias, como a interleucina-6 (IL-6), que estimulam a produção hepática de trombopoetina, levando a uma trombocitose reacional que geralmente não exige antiagregação ou tratamento específico além da terapia oncológica.

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