Síndromes Hipertensivas na Gestação: Manejo e Interrupção

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2022

Enunciado

As Síndromes hipertensivas na gestação constituem importante causa de morbimortalidade materna, complicando cerca de 5 a 10% das gestações. Sobre esse tema marque a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A interrupção da gestação pode ser antecipada diante de um quadro de hipertensão descompensada associada ou não a alterações laboratoriais, independente da idade gestacional sendo a via de parto de escolha avaliada pelas condições materno-fetais.
  2. B) A eclâmpsia se caracteriza por convulsões tônico-clônicas generalizadas, levando muitas vezes ao óbito materno e fetal e, portanto, deve ser tratada rapidamente com droga anticonvulsivante como benzodiazepínicos e anti-hipertensivos.
  3. C) Diante da síndrome HELLP, a melhor conduta é otimizar a dose de hipotensor e adiar a interrupção da gestação até melhora dos níveis laboratoriais e pressóricos.
  4. D) A Relação proteína/creatinina em amostra isolada de urina não deve ser usada para classificar a síndrome hipertensiva gestacional.
  5. E) O sulfato de magnésio pode ser utilizado para controle pressórico e suspenso horas antes do procedimento cirúrgico para evitar hemorragia intra-parto.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave descompensada → interrupção da gestação, via de parto individualizada, independente da idade gestacional.

Resumo-Chave

A decisão de interromper a gestação em síndromes hipertensivas graves é guiada pela gravidade do quadro materno-fetal, não apenas pela idade gestacional. A via de parto deve ser avaliada caso a caso, considerando as condições da mãe e do feto para otimizar os desfechos.

Contexto Educacional

As síndromes hipertensivas na gestação, como a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, representam uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, afetando cerca de 5 a 10% das gestações. A pré-eclâmpsia é caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação, enquanto a eclâmpsia é a ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em mulheres com pré-eclâmpsia. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para otimizar os desfechos. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada e má perfusão placentária, levando a uma resposta inflamatória sistêmica. O diagnóstico baseia-se na monitorização da pressão arterial, avaliação da proteinúria e exames laboratoriais para detectar disfunção de órgãos-alvo (plaquetas, enzimas hepáticas, creatinina). A suspeita deve surgir em qualquer gestante com hipertensão nova após 20 semanas, especialmente se acompanhada de sintomas como cefaleia, distúrbios visuais ou dor epigástrica. O tratamento definitivo da pré-eclâmpsia é a interrupção da gestação. Em casos de pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia, a interrupção pode ser antecipada, independentemente da idade gestacional, se houver descompensação materna ou fetal. O manejo inclui controle pressórico com anti-hipertensivos e profilaxia/tratamento de convulsões com sulfato de magnésio. A via de parto é determinada pelas condições materno-fetais e obstétricas, não sendo a cesariana uma indicação absoluta.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de pré-eclâmpsia grave?

A pré-eclâmpsia grave é diagnosticada pela presença de hipertensão (PA ≥ 160/110 mmHg) e proteinúria, associada a sinais e sintomas de disfunção de órgãos-alvo, como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas ou insuficiência renal.

Quando a interrupção da gestação é indicada em síndromes hipertensivas?

A interrupção da gestação é indicada em casos de pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia com descompensação materna ou fetal, independentemente da idade gestacional. A decisão é baseada na avaliação clínica e laboratorial da gravidade do quadro.

Qual o papel do sulfato de magnésio no manejo da eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é a droga de escolha para a prevenção e tratamento das convulsões na eclâmpsia e pré-eclâmpsia grave. Ele atua como um anticonvulsivante e neuroprotetor, não sendo utilizado para controle pressórico.

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