HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2020
Adolescente de 15 anos é levado à emergência quadro de tosse, palpitação e taquidispneia. Responsáveis e adolescente relatam três episódios iguais nos últimos 6 meses. Adolescente relata que em todas as ocasiões, o quadro iniciou enquanto jogava futebol. Nega desmaios ou síncopes. HPP: rinite alérgica e dermatite de contato. Pais hipertensos. Exame físico: agitado, ansioso, FC: 215bpm, PA: 130 x 80mm Hg, tempo de enchimento capilar de 3 segundos. AR: FR: 46irpm, sibilos difusos. Abdômen: peristalse presente, sem massas ou visceromegalias. Foi inicialmente tratado com broncodilatador inalatório com melhora da tosse, mas persistindo o mal-estar. Um ECG é obtido quando paciente apresenta FC: 100bpm e não mais relata palpitação. O diagnóstico é:
Adolescente com TSV recorrente, FC > 200bpm, melhora com broncodilatador (efeito vagal?) → Suspeitar WPW.
A Síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW) é uma condição de pré-excitação ventricular devido a uma via acessória. Em adolescentes, pode se manifestar como taquicardias supraventriculares paroxísticas com FC elevadas (>200 bpm), frequentemente desencadeadas por esforço físico. O ECG basal (quando assintomático) é crucial para o diagnóstico, mostrando onda delta, PR curto e QRS alargado.
A Síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW) é uma das causas mais comuns de taquicardia supraventricular (TSV) em crianças e adolescentes. É caracterizada pela presença de uma via acessória anômala (feixe de Kent) que conecta os átrios aos ventrículos, contornando o nó AV e levando à pré-excitação ventricular. O reconhecimento precoce é vital para o manejo adequado. Clinicamente, pacientes com WPW podem apresentar episódios de palpitações, taquicardia, tontura e, em casos mais graves, síncope. Os episódios são frequentemente paroxísticos e podem ser desencadeados por esforço físico, como no caso do adolescente jogando futebol. O ECG durante o ritmo sinusal é diagnóstico, mostrando PR curto, onda delta e QRS alargado. A FC de 215bpm é compatível com TSV. O tratamento da WPW varia desde a observação em casos assintomáticos até a ablação por cateter da via acessória em pacientes sintomáticos ou com alto risco de arritmias graves. O uso de broncodilatadores inalatórios pode ter um efeito vagal indireto que, em alguns casos, pode transitoriamente modular a frequência cardíaca, mas não trata a causa subjacente da arritmia.
Os achados clássicos no ECG de um paciente com WPW incluem um intervalo PR curto (<0.12s), uma onda delta (empastamento inicial do QRS) e um complexo QRS alargado (>0.10s).
A WPW causa taquicardia devido à presença de uma via acessória (feixe de Kent) que permite a condução elétrica anormal entre átrios e ventrículos, criando um circuito de reentrada que resulta em taquicardias supraventriculares.
Deve-se suspeitar de WPW em adolescentes que apresentam episódios recorrentes de palpitações, taquicardia de início súbito e fim abrupto, especialmente se desencadeadas por esforço físico e com frequências cardíacas muito elevadas.
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