Síndrome de Wilkie: Complicação Pós-Bariátrica e Diagnóstico

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 32 anos de idade, em pós-operatório tardio de cirurgia bariátrica, foi admitida na unidade de emergência com quadro de distensão abdominal, dor epigástrica pós-prandial intermitente, náuseas e vômitos, que se iniciou há 3 meses. Ao exame, apresenta frequência cardíaca de 94bpm, frequência respiratória de 17irpm e pressão arterial de 100x70mmHg. O abdome está distendido e doloroso à palpação superficial e profunda difusamente, porém não tem sinais de irritação peritoneal. Os exames de imagem realizados evidenciaram as alterações que podem ser vistas a seguir: Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Bridas abdominais
  2. B) Hérnia interna
  3. C) Síndrome de May-Thurner
  4. D) Síndrome de Wilkie
  5. E) Úlcera péptica perfurada

Pérola Clínica

Síndrome de Wilkie (SMAS): Obstrução duodenal por compressão vascular após perda de peso rápida, comum pós-bariátrica.

Resumo-Chave

A Síndrome de Wilkie, ou Síndrome da Artéria Mesentérica Superior (SMAS), é uma condição rara de obstrução duodenal causada pela compressão do duodeno entre a artéria mesentérica superior e a aorta. É frequentemente precipitada por perda de peso rápida, como após cirurgia bariátrica, levando a dor epigástrica pós-prandial, náuseas e vômitos.

Contexto Educacional

A Síndrome de Wilkie, também conhecida como Síndrome da Artéria Mesentérica Superior (SMAS), é uma condição rara, mas grave, caracterizada pela compressão da terceira porção do duodeno entre a artéria mesentérica superior (AMS) e a aorta abdominal. Essa compressão resulta em uma obstrução parcial ou completa do trato gastrointestinal superior. A epidemiologia da SMAS está frequentemente associada a condições que levam à perda de peso rápida e acentuada, como cirurgia bariátrica, anorexia nervosa, trauma grave, queimaduras extensas ou doenças consuptivas, que resultam na diminuição do coxim de gordura mesentérica e do ângulo aorto-mesentérico. A fisiopatologia envolve a redução do ângulo entre a AMS e a aorta (normalmente 45-60 graus, na SMAS <25 graus), o que aprisiona o duodeno. Os sintomas típicos incluem dor epigástrica pós-prandial, náuseas, vômitos biliosos, saciedade precoce e distensão abdominal, que pioram após as refeições e podem ser aliviados pela posição prona ou decúbito lateral esquerdo. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem. A radiografia contrastada do trato gastrointestinal superior pode mostrar dilatação duodenal e um ponto de corte abrupto. A tomografia computadorizada (TC) com contraste é o método de escolha, evidenciando a compressão duodenal, a redução do ângulo aorto-mesentérico e a diminuição da distância aorto-mesentérica. O tratamento inicial é conservador, com suporte nutricional (enteral ou parenteral), hidratação e medidas para promover o ganho de peso e o aumento do coxim de gordura. Se o tratamento conservador falhar ou em casos de obstrução grave, a intervenção cirúrgica pode ser necessária, geralmente uma duodenojejunostomia, para desviar o fluxo alimentar e aliviar a obstrução. Para residentes, é crucial considerar a SMAS no diagnóstico diferencial de sintomas obstrutivos gastrointestinais altos em pacientes com história de perda de peso rápida, especialmente após cirurgia bariátrica, para evitar atrasos no diagnóstico e tratamento.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome de Wilkie (Síndrome da Artéria Mesentérica Superior)?

É uma condição rara em que o duodeno (terceira porção) é comprimido entre a artéria mesentérica superior e a aorta, levando a uma obstrução parcial ou completa do trato gastrointestinal superior.

Quais são os principais fatores de risco para a Síndrome de Wilkie?

O principal fator de risco é a perda de peso rápida e acentuada, que diminui o coxim de gordura mesentérica e o ângulo aorto-mesentérico, comum após cirurgia bariátrica, trauma ou doenças consuptivas.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome de Wilkie?

O diagnóstico é baseado na clínica de obstrução alta (dor epigástrica pós-prandial, náuseas, vômitos) e confirmado por exames de imagem como tomografia computadorizada ou angiografia, que demonstram a compressão duodenal e a diminuição do ângulo aorto-mesentérico.

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