Síndrome de Wernicke-Korsakoff: Prevenção e Manejo em Etilistas

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente do sexo masculino, de 42 anos, com histórico de etilismo crônico, apresenta-se ao pronto-socorro com sinais de confusão mental, tremores nas extremidades, sudorese e taquicardia. Relata que está em abstinência tranquila há 24 horas. Durante a avaliação, foi identificado que o paciente apresenta também dificuldade para coordenar movimentos e relatar perda de memória recente. Com base nas condições clínicas descritas, qual das alternativas a seguir é correta em relação à intoxicação e à abstinência isolada?

Alternativas

  1. A) A tiamina deve ser administrada em pacientes com história de etilismo periódico para prevenir a síndrome de Wernicke-Korsakoff, uma condição associada à deficiência de tiamina e que pode resultar em complicações neurológicas graves, como encefalopatia.
  2. B) A síndrome de abstinência secundária grave, incluindo delirium tremens, deve ser preferencialmente com antipsicóticos, pois esses medicamentos são mais eficazes no controle das manifestações psicóticas associadas.
  3. C) A naltrexona é indicada para manejo da intoxicação aguda por álcool, pois bloqueia os receptores opioides e reduz os efeitos de recompensa associados ao consumo excessivo de álcool.
  4. D) A abstinência moderna evoluiu para quadros graves, sendo que a maioria dos casos de abstinência isolada agora é leve e pode ser tratada ambulatorialmente sem complicações.

Pérola Clínica

Etilista com abstinência e sintomas neurológicos → administrar tiamina para prevenir Wernicke-Korsakoff.

Resumo-Chave

A deficiência de tiamina é comum em etilistas crônicos e pode levar à encefalopatia de Wernicke e síndrome de Korsakoff. A administração precoce de tiamina é crucial para prevenir ou reverter esses quadros neurológicos graves, especialmente em pacientes com sinais de abstinência ou desnutrição.

Contexto Educacional

A Síndrome de Wernicke-Korsakoff é uma condição neuropsiquiátrica grave causada pela deficiência de tiamina (vitamina B1), frequentemente associada ao etilismo crônico. A encefalopatia de Wernicke representa a fase aguda, caracterizada pela tríade clássica de confusão mental, ataxia e oftalmoplegia. Se não tratada adequadamente, pode evoluir para a Síndrome de Korsakoff, uma condição crônica e muitas vezes irreversível de amnésia grave e confabulação. A prevalência em etilistas é significativa, tornando a prevenção uma prioridade. A fisiopatologia envolve a deficiência de tiamina, que é um cofator essencial para enzimas envolvidas no metabolismo da glicose no cérebro. A falta de tiamina leva a um comprometimento da produção de energia e à disfunção neuronal. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no histórico de etilismo. É crucial suspeitar da condição em qualquer paciente etilista com alterações neurológicas, mesmo que sutis, pois o tratamento precoce é fundamental. A conduta mais apropriada e salvadora é a administração imediata de tiamina por via parenteral, antes ou concomitantemente à glicose, para prevenir a precipitação ou agravamento da encefalopatia. O tratamento da abstinência alcoólica grave geralmente envolve benzodiazepínicos para controlar a agitação e prevenir convulsões e delirium tremens. Antipsicóticos não são a primeira linha para delirium tremens, e a naltrexona é usada para manutenção da abstinência, não para intoxicação aguda.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da encefalopatia de Wernicke?

A encefalopatia de Wernicke é caracterizada pela tríade clássica de confusão mental, ataxia (dificuldade de coordenação) e oftalmoplegia (paralisia dos músculos oculares). Pode haver também nistagmo e outros sinais neurológicos.

Por que a tiamina é tão importante no tratamento de pacientes etilistas?

A tiamina (vitamina B1) é um cofator essencial em diversas vias metabólicas cerebrais. A deficiência, comum em etilistas devido à má nutrição e absorção, leva a disfunção neuronal e pode causar a Síndrome de Wernicke-Korsakoff, uma condição neurológica grave e potencialmente irreversível.

Como diferenciar a Síndrome de Wernicke da Síndrome de Korsakoff?

A encefalopatia de Wernicke é a fase aguda, com sintomas como confusão, ataxia e oftalmoplegia. A Síndrome de Korsakoff é uma sequela crônica, caracterizada por amnésia anterógrada e retrógrada grave, confabulação e déficits cognitivos persistentes, que pode se desenvolver após um episódio de Wernicke não tratado.

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