Síndrome de Wernicke: Diagnóstico e Manejo Urgente

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino de 60 anos, dependente ao álcool, internado para promoção de abstinência, recebe protocolo de Diazepam para manejo de síndrome de abstinência complicada por delirium (delirium tremens); 12 horas após tem melhora apenas do quadro de taquicardia e sudorese, mas ainda persiste confuso e evolui nas 24 horas seguintes com ataxia, nistagmo vertical e paralisia do olhar para a direita. O quadro é compatível com qual hipótese e prognóstico caso não seja prontamente manejado:

Alternativas

  1. A) Síndrome de Wernicke e tem alto risco de demenciação irreversível.
  2. B) Agravamento do delirium e tem alto rico de convulsão.
  3. C) AVCI em evolução e tem alto risco de sequela motora.
  4. D) Síndrome de Wolf Parkinson White e tem alto risco de morte súbita.
  5. E) Sepse de foco indeterminado.

Pérola Clínica

Alcoólatra com delirium, ataxia, nistagmo, oftalmoplegia → Síndrome de Wernicke; emergência médica, tratar com tiamina IV para prevenir Korsakoff.

Resumo-Chave

A Síndrome de Wernicke, causada por deficiência de tiamina (vitamina B1), é uma emergência neurológica comum em alcoólatras crônicos. Caracteriza-se pela tríade clássica de encefalopatia (confusão, delirium), ataxia e oftalmoplegia (nistagmo, paralisia do olhar). O tratamento imediato com tiamina intravenosa é crucial para prevenir a progressão para a psicose de Korsakoff e danos cerebrais irreversíveis.

Contexto Educacional

A Síndrome de Wernicke, também conhecida como encefalopatia de Wernicke, é uma emergência neuropsiquiátrica aguda causada pela deficiência de tiamina (vitamina B1). Embora classicamente associada ao alcoolismo crônico, pode ocorrer em qualquer condição que leve à desnutrição grave ou má absorção, como hiperemese gravídica, cirurgia bariátrica ou neoplasias. A tiamina é um cofator essencial para enzimas envolvidas no metabolismo da glicose no cérebro, e sua deficiência resulta em disfunção neuronal, especialmente em regiões como os corpos mamilares, tálamo e tronco cerebral. O quadro clínico clássico da Síndrome de Wernicke é a tríade de encefalopatia (confusão mental, desorientação, apatia, delirium), ataxia (marcha instável, dismetria) e oftalmoplegia (nistagmo, paralisia do olhar, mais comumente do VI nervo craniano). No entanto, a tríade completa está presente em menos de 20% dos casos, e a ausência de um ou mais sintomas não exclui o diagnóstico. A suspeita clínica é crucial, especialmente em pacientes com fatores de risco como alcoolismo. O diagnóstico é primariamente clínico, e a dosagem de tiamina sérica não deve atrasar o tratamento. O tratamento da Síndrome de Wernicke é a administração imediata de tiamina intravenosa em doses elevadas, antes mesmo da administração de glicose, para evitar a precipitação ou piora do quadro. A recuperação dos sintomas oculares geralmente é rápida, enquanto a ataxia e a encefalopatia podem demorar mais. Se não tratada prontamente, a Síndrome de Wernicke pode evoluir para a psicose de Korsakoff, uma condição crônica e muitas vezes irreversível, caracterizada por amnésia anterógrada grave, confabulação e déficits cognitivos, com alto risco de demenciação. A prevenção em pacientes de risco com suplementação de tiamina é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Síndrome de Wernicke?

A Síndrome de Wernicke é classicamente caracterizada pela tríade de encefalopatia (confusão mental, desorientação, delirium), ataxia (dificuldade de coordenação motora) e oftalmoplegia (nistagmo, paralisia do olhar). No entanto, nem todos os três sintomas precisam estar presentes para o diagnóstico.

Por que a Síndrome de Wernicke é comum em pacientes alcoólatras?

O alcoolismo crônico leva à má nutrição e à má absorção de tiamina (vitamina B1) no trato gastrointestinal. A tiamina é essencial para o metabolismo da glicose no cérebro, e sua deficiência causa disfunção neurológica, especialmente em áreas como o tronco cerebral e cerebelo.

Qual o tratamento e o prognóstico da Síndrome de Wernicke?

O tratamento é a administração imediata de tiamina intravenosa em altas doses. A não intervenção ou o atraso no tratamento pode levar à progressão para a psicose de Korsakoff, que é uma condição irreversível caracterizada por amnésia anterógrada e confabulação, com alto risco de demenciação.

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