MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 58 anos, tabagista e hipertenso, procura a Unidade de Pronto Atendimento relatando um episódio de dor precordial opressiva de forte intensidade que durou 20 minutos enquanto caminhava, mas que cessou espontaneamente há cerca de uma hora. No momento da avaliação, o paciente encontra-se assintomático, estável hemodinamicamente e sem alterações ao exame físico. O eletrocardiograma (ECG) realizado na admissão é apresentado na imagem a seguir. Diante do quadro clínico e do traçado eletrocardiográfico, qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta imediata mais adequada?
Ondas T invertidas/bifásicas em V2-V3 + dor precordial prévia = Wellens (DA proximal crítica).
A Síndrome de Wellens sinaliza uma obstrução crítica da DA proximal em pacientes que podem estar assintomáticos no momento do ECG. O teste de esforço é contraindicado pelo risco de IAM anterior extenso.
A Síndrome de Wellens é uma manifestação eletrocardiográfica de alto risco clínico, frequentemente subdiagnosticada em unidades de emergência. Ela reflete a reperfusão de uma artéria descendente anterior (DA) que estava previamente ocluída ou quase ocluída. O reconhecimento rápido é vital porque, apesar do paciente estar assintomático e com enzimas cardíacas muitas vezes normais, a evolução natural é a oclusão total em dias ou semanas. Fisiopatologicamente, as alterações da onda T ocorrem durante o período de 'alívio' da dor, representando o miocárdio 'atordoado' após um episódio isquêmico grave. O tratamento definitivo envolve a revascularização percutânea ou cirúrgica, evitando-se métodos diagnósticos não invasivos que exijam estresse miocárdico.
Existem dois padrões principais: o Tipo A (25% dos casos), caracterizado por ondas T bifásicas em V2 e V3, e o Tipo B (75% dos casos), com ondas T profundamente invertidas e simétricas nas derivações precordiais (V2-V3, podendo estender-se de V1 a V4). É fundamental que o paciente esteja sem dor no momento do traçado, apresente marcadores de necrose miocárdica normais ou levemente elevados e não possua ondas Q patológicas ou perda de progressão da onda R.
A Síndrome de Wellens representa um estado de pré-infarto devido a uma estenose subtotal (crítica) da artéria descendente anterior proximal. Induzir um aumento na demanda de oxigênio miocárdico através de exercício ou estresse farmacológico pode transformar essa estenose subtotal em uma oclusão completa, resultando em um infarto agudo do miocárdio de parede anterior extenso, com alto risco de instabilidade hemodinâmica e arritmias fatais.
A conduta padrão-ouro é o encaminhamento para cineangiocoronariografia (cateterismo) precoce. Enquanto aguarda o procedimento, o paciente deve ser manejado como portador de síndrome coronariana aguda sem supra de ST de alto risco, iniciando terapia anti-isquêmica e antiagregante plaquetária dupla, sempre monitorado em ambiente hospitalar devido ao risco iminente de oclusão total da artéria descendente anterior.
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