Síndrome de Weil: Diagnóstico e Sinais Chave

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2019

Enunciado

Paciente com quadro de febre, cefaleia e mialgia, iniciado 5 dias após ter tomado chuva. Procurou atendimento médico, com prescrição de paracetamol e repouso. Após 2 dias, cursou com hipotensão, mialgia mais intensa, oligúria e dispneia intensa severa, sendo encaminhado a UPA. Ao chegar, já houve necessidade de intubação orotraqueal devido a insuficiência respiratória e hemoptise, com passagem de intracath para início de noradrenalina. Encontrava-se edemaciado e ictérico, com presença de lesões petequiais em membros inferiores. Exames com Hb 9,8 g/dl, leucócitos 1.500/mm³, plaquetas 65.000/mm³, albumina 2,2 g/dl, LDH 4.500 UI/l, CPK 850 U/l, urina I com proteínas 3+/4, bilirrubinas 23 mg/dl (Direta 20 mg/dl), Na 142 mEq/l, K 2.9 mEq/l, TGO (AST) 430, TGP (ALT) 400. Qual a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Febre maculosa.
  2. B) Síndrome de Goodpasture.
  3. C) Granulomatose de Wegener.
  4. D) Síndrome de Weil.
  5. E) Poliangeíte microscópica.

Pérola Clínica

Febre + mialgia intensa + icterícia + IRA + hemoptise + plaquetopenia após chuva → Síndrome de Weil (leptospirose grave).

Resumo-Chave

A Síndrome de Weil é a forma grave da leptospirose, caracterizada por febre, icterícia intensa, disfunção renal (oligúria, IRA), manifestações hemorrágicas (petéquias, hemoptise), mialgia severa e hipotensão, frequentemente após exposição a águas contaminadas (chuva).

Contexto Educacional

A Síndrome de Weil representa a forma mais grave da leptospirose, uma zoonose bacteriana causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida principalmente pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, como roedores. É uma condição com alta morbimortalidade, especialmente em regiões tropicais e após eventos de enchentes. O quadro clínico é dramático e multissistêmico, iniciando-se com uma fase febril inespecífica, seguida pela fase imune, onde surgem as manifestações graves. Os achados clássicos incluem a tríade de febre, icterícia intensa (com bilirrubinas elevadas, predomínio direto) e insuficiência renal aguda (com oligúria e elevação de creatinina e ureia). Além disso, são comuns mialgias severas (principalmente em panturrilhas), manifestações hemorrágicas (petéquias, equimoses, hemoptise, sangramentos gastrointestinais) e hipotensão, que pode evoluir para choque. A plaquetopenia e a leucocitose são achados laboratoriais frequentes. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, com a história de exposição (tomar chuva, contato com enchentes) sendo um forte indício. O tratamento é baseado em antibioticoterapia (penicilina ou ceftriaxona) e suporte intensivo, incluindo diálise para insuficiência renal e ventilação mecânica para insuficiência respiratória. O reconhecimento precoce é vital para reduzir a mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da Síndrome de Weil?

A Síndrome de Weil é caracterizada por febre alta, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas), icterícia mucocutânea, insuficiência renal aguda (oligúria, elevação de creatinina e ureia), manifestações hemorrágicas (petéquias, equimoses, hemoptise, sangramentos) e hipotensão.

Qual a importância da história de exposição na suspeita de leptospirose?

A história de exposição a águas de enchente, lama, ou contato com urina de roedores é um dado epidemiológico crucial que fortalece a suspeita de leptospirose, especialmente em regiões endêmicas.

Como a Síndrome de Weil afeta os rins e o fígado?

A leptospirose grave causa insuficiência renal aguda por nefrite intersticial e necrose tubular aguda, e disfunção hepática com icterícia colestática, resultando em elevação de bilirrubinas (predominantemente direta) e enzimas hepáticas.

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