IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2023
Mulher, 35 anos, com dificuldade de movimentar hemicorpo direito é atendida no serviço de emergência. Apresenta-se eupneica, corada, hidratada, torporosa em regular estado geral, PA de 150x100 mmHg, FC de 77bpm (média), bulhas arrítmicas normofonéticas, com sopro holossitólico rude em foco mitral. Percebe-se hemiplegia direita, com sinal de Babinski positivo à direita. No olho esquerdo percebe-se midríase, ptose palpebral, reflexo fotomotor abolido e ausência dos movimentos de abaixamento, elevação e adução, com consequente desvio do olhar para a esquerda. No olho direito não se percebe qualquer alteração. Sobre o caso, o comprometimento do sistema nervoso central se dá em:
Lesão mesencefálica peduncular (Weber) → Paralisia III nervo ipsilateral + Hemiplegia contralateral.
A síndrome de Weber é uma síndrome alternada clássica do tronco cerebral, causada por uma lesão no mesencéfalo que afeta o III nervo craniano (oculomotor) e o trato corticoespinhal no pedúnculo cerebral. Isso resulta em paralisia ipsilateral do III nervo (ptose, midríase, desvio do olhar) e hemiplegia contralateral.
A localização de lesões no sistema nervoso central é um pilar fundamental da neurologia, e as síndromes de tronco cerebral, como a síndrome de Weber, são exemplos clássicos de como a anatomia pode ser correlacionada com a clínica. A síndrome de Weber é causada por uma lesão no mesencéfalo ventral, que afeta o núcleo ou as fibras do III nervo craniano (oculomotor) e o trato corticoespinhal no pedúnculo cerebral. É uma condição importante para residentes, pois o reconhecimento rápido pode guiar o diagnóstico e tratamento de condições subjacentes, como AVC ou tumores. A fisiopatologia envolve a interrupção das vias motoras e do nervo oculomotor. O III nervo craniano é responsável pela maioria dos movimentos oculares e pela inervação parassimpática da pupila e da pálpebra. Sua lesão resulta em ptose, midríase e desvio do olhar. O trato corticoespinhal, que transporta os comandos motores do córtex para a medula espinhal, ainda não cruzou a linha média no mesencéfalo. Portanto, uma lesão no pedúnculo cerebral afeta as fibras antes do cruzamento, causando hemiplegia no lado contralateral do corpo. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na apresentação característica de paralisia ipsilateral do III nervo e hemiplegia contralateral. Exames de imagem, como ressonância magnética (RM) do encéfalo, são essenciais para confirmar a localização e a etiologia da lesão, que pode ser isquêmica, hemorrágica, tumoral ou inflamatória. O tratamento depende da causa subjacente, mas o reconhecimento da síndrome é o primeiro passo crucial para o manejo adequado do paciente.
A síndrome de Weber é caracterizada por paralisia ipsilateral do III nervo craniano (oculomotor), manifestada por ptose palpebral, midríase, desvio do olho para baixo e para fora, e hemiplegia contralateral, devido ao comprometimento do trato corticoespinhal no pedúnculo cerebral.
No mesencéfalo, o núcleo do III nervo craniano está localizado ipsilateralmente, enquanto o trato corticoespinhal (que controla os movimentos do corpo) ainda não cruzou para o lado oposto. Assim, uma lesão mesencefálica afeta o nervo craniano do mesmo lado e o trato motor antes do cruzamento, resultando em sintomas motores no lado contralateral do corpo.
Lesões mesencefálicas, como a síndrome de Weber, tipicamente apresentam síndromes alternadas (paralisia de nervo craniano ipsilateral e hemiplegia contralateral). Lesões corticais ou capsulares, por outro lado, geralmente causam hemiplegia ou hemiparesia contralateral sem envolvimento direto de nervos cranianos ipsilaterais.
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