HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020
Acerca das patologias na infância, julgue o item a seguir. A síndrome de Waterhouse-Friderichsen na criança caracteriza-se por septicemia meningocócica, sem meningite, que se manifesta por sinais clínicos de choque e coagulação intravascular disseminada.
Síndrome de Waterhouse-Friderichsen = septicemia meningocócica fulminante com choque, CIVD e hemorragia adrenal.
A Síndrome de Waterhouse-Friderichsen é uma forma grave e rapidamente progressiva de septicemia meningocócica, caracterizada por choque, coagulação intravascular disseminada (CIVD) e hemorragia bilateral das glândulas adrenais, levando à insuficiência adrenal aguda.
A Síndrome de Waterhouse-Friderichsen é uma condição médica grave e de rápida progressão, que representa uma forma fulminante de septicemia meningocócica. É crucial que residentes e estudantes de medicina reconheçam essa síndrome devido à sua alta mortalidade e à necessidade de intervenção imediata. A epidemiologia está ligada à infecção por Neisseria meningitidis, que pode ocorrer em surtos ou casos esporádicos, afetando principalmente crianças e adolescentes. A importância clínica reside na sua apresentação dramática e na rápida deterioração do paciente, exigindo um alto índice de suspeita. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica descontrolada à infecção meningocócica, levando a choque séptico, disfunção de múltiplos órgãos e coagulação intravascular disseminada (CIVD). A característica patognomônica é a hemorragia bilateral das glândulas adrenais, resultando em insuficiência adrenal aguda, que contribui significativamente para o choque refratário. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na tríade de choque, púrpura fulminans e evidência de infecção meningocócica (culturas de sangue ou LCR). A ausência de meningite clássica é um ponto importante, pois a doença é predominantemente uma septicemia. O tratamento é uma emergência médica e deve ser iniciado imediatamente. Inclui suporte intensivo para o choque (fluidos, vasopressores), antibioticoterapia empírica de amplo espectro que cubra Neisseria meningitidis (ex: ceftriaxona), e reposição de corticosteroides para a insuficiência adrenal. O prognóstico é sombrio, com taxas de mortalidade elevadas, mesmo com tratamento adequado, devido à gravidade da doença e à rapidez de sua progressão. A prevenção através da vacinação contra meningococos é fundamental para reduzir a incidência dessa condição devastadora.
A síndrome se manifesta por um quadro de septicemia fulminante, com rápido desenvolvimento de choque, hipotensão refratária, púrpura cutânea extensa (purpura fulminans), e sinais de coagulação intravascular disseminada (CIVD). A hemorragia bilateral das glândulas adrenais leva à insuficiência adrenal aguda, agravando o choque.
O agente etiológico mais comum é a Neisseria meningitidis, especialmente os sorogrupos B e C. No entanto, outros patógenos bacterianos, como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae, também podem, raramente, causar um quadro semelhante.
Embora seja causada por Neisseria meningitidis, a síndrome é primariamente uma septicemia. A infecção pode ser tão fulminante que o paciente evolui para choque e óbito antes que a bactéria consiga invadir o sistema nervoso central e causar meningite, ou os sinais de meningite podem ser mascarados pela gravidade do choque.
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