UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015
Uma mulher de 34 anos comparece ao Pronto-Socorro (PS) com queixa de cefaleia na região periauricular com irradiação para região temporal direita há três dias. Ela estava trabalhando sentada quando sentiu uma vertigem súbita, desconforto na garganta e uma sensação de queimação no braço e perna esquerda. Quando tentou se levantar e caminhar, seu braço direito e perna não se moveram de forma normal e coordenada. A paciente era previamente saudável e não tomava qualquer medicação regularmente. Sem vícios; negava etilismo ou tabagismo e praticava exercícios aeróbicos quase diariamente. Sua mãe e uma série de parentes maternos sofrem de hipertensão. Ao exame físico: a paciente tinha temperatura oral de 37,0°C; pulso regular, com uma frequência de 86 bpm; pressão arterial de 164 x 90 mmHg e ausculta cardíaca normal. Não há sopros carotídeos. A paciente refere ter surtos prolongados de soluços. Incapaz de se manter em posição ortostática devido à grave sensação de desequilíbrio. Há ptose e miose à direita. Presença de olhar horizontal sustentado e nistagmo bilateral e também um nistagmo com fase rápida para baixo (downbeating). Há diminuição da sensibilidade à dor e temperatura na hemiface direita, queda do véu palatino à direita e diminuição do reflexo de vômito. Os movimentos da língua são normais. A força e os reflexos tendinosos profundos são normais e simétricos e está ausente o sinal de Babinski. Há um grau moderado de ataxia afetando braço e perna direita. Há diminuição da sensibilidade à dor e temperatura no braço esquerdo, perna e tronco. A propriocepção está inalterada. Análises laboratoriais de rotina incluindo hemograma completo, um painel metabólico básico e perfil lipídico foram normais. A tomografia computadorizada sem contraste de crânio foi normal. A figura 1 mostra a ressonância magnética do crânio. (VER IMAGEM) Considerando a história clínica, a imagem, os nervos cranianos envolvidos e as modalidades sensoriais comprometidas, o provável diagnóstico desta paciente é:
Síndrome de Wallenberg → Oclusão PICA → Horner, disfagia, disartria, ataxia ipsilateral, dor/temperatura contralateral.
A Síndrome de Wallenberg, ou Síndrome Medular Lateral, é causada por isquemia na região dorsolateral do bulbo, geralmente por oclusão da artéria cerebelar posteroinferior (PICA). Caracteriza-se por uma constelação de sintomas que incluem vertigem, nistagmo, síndrome de Horner ipsilateral, disfagia, disartria, ataxia ipsilateral e perda de sensibilidade à dor e temperatura na face ipsilateral e no corpo contralateral.
A Síndrome de Wallenberg, também conhecida como Síndrome Medular Lateral, é uma condição neurológica aguda resultante de um infarto na porção dorsolateral do bulbo, geralmente devido à oclusão da artéria cerebelar posteroinferior (PICA) ou de seus ramos. É uma causa comum de acidente vascular cerebral isquêmico de tronco encefálico e é crucial para o residente reconhecer seus sinais e sintomas característicos. A fisiopatologia envolve a interrupção do suprimento sanguíneo para estruturas vitais do bulbo, como o núcleo vestibular, trato espinotalâmico, núcleo do trigêmeo, fibras simpáticas descendentes e núcleos dos nervos cranianos IX e X. Isso resulta em uma constelação de sintomas que incluem vertigem intensa, nistagmo, disfagia, disartria, ataxia ipsilateral (devido ao envolvimento do pedúnculo cerebelar inferior), síndrome de Horner ipsilateral e perda de sensibilidade à dor e temperatura na face ipsilateral e no tronco e membros contralaterais. O diagnóstico é primariamente clínico, suportado por exames de imagem como a ressonância magnética, que pode identificar a área de isquemia. O tratamento é de suporte na fase aguda, com foco na prevenção de complicações como aspiração, e reabilitação. O prognóstico varia, mas muitos pacientes conseguem uma recuperação significativa, embora alguns déficits residuais possam persistir.
Os sintomas incluem vertigem, nistagmo, disfagia, disartria, ataxia ipsilateral, síndrome de Horner ipsilateral e perda de sensibilidade à dor e temperatura na face ipsilateral e no corpo contralateral. A artéria cerebelar posteroinferior (PICA) é a mais comumente envolvida.
A Síndrome de Horner (ptose, miose, anidrose ipsilateral) ocorre devido à lesão das fibras simpáticas descendentes que passam pela porção dorsolateral do bulbo, antes de fazerem sinapse na medula espinhal.
A Síndrome de Wallenberg é caracterizada por déficits sensitivos cruzados (face ipsilateral, corpo contralateral) e a combinação de disfagia, disartria, vertigem e síndrome de Horner, o que a diferencia de lesões pontinas ou mesencefálicas que afetam outras vias e nervos cranianos.
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