CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025
Mulher de 40 anos, previamente hígida e sem antecedentes oftalmológicos, apresenta náusea, cefaleia e disacusia há duas semanas, evoluindo há cinco dias com baixa visual simultânea súbita. Qual dos achados abaixo seria o mais provavelmente esperado nessa fase de apresentação?
VKH aguda → Panuveíte bilateral + Descolamentos serosos múltiplos + Sintomas auditivos/neurológicos.
A Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada (VKH) é uma doença multissistêmica autoimune contra melanócitos. Na fase uveítica aguda, a manifestação clássica é o descolamento de retina exsudativo (seroso) bilateral.
A Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada (VKH) é uma panuveíte granulomatosa bilateral mediada por células T contra antígenos de melanócitos. É mais comum em populações com maior pigmentação cutânea (asiáticos, hispânicos e nativos americanos). O quadro clínico integra manifestações oculares, auditivas (disacusia, zumbido), neurológicas (meningismo) e tegumentares. O reconhecimento da fase aguda é vital, pois o tratamento precoce com corticosteroides em altas doses (frequentemente pulsoterapia) pode prevenir a progressão para a fase de convalescença e minimizar sequelas visuais permanentes. O achado de múltiplos descolamentos serosos na fase inicial é patognomônico no contexto clínico adequado, diferenciando-a de outras uveítes e descolamentos de retina.
A VKH progride em quatro fases: 1) Prodrômica: mimetiza uma infecção viral com cefaleia, meningismo, zumbido e disacusia; 2) Uveítica Aguda: marcada por baixa visual súbita bilateral, panuveíte granulomatosa e descolamentos serosos (exsudativos) da retina; 3) Convalescença: ocorre semanas depois, com despigmentação da coroide (fundo em 'pôr-do-sol') e sinais cutâneos como vitiligo, polidose e alopecia; 4) Crônica Recidivante: caracterizada por episódios repetidos de uveíte anterior e complicações como catarata e glaucoma.
Diferente do descolamento regmatogênico (causado por rasgaduras), o descolamento na VKH é do tipo exsudativo ou seroso. Ele ocorre devido à inflamação intensa da coroide (coroidite difusa), que leva ao acúmulo de fluido no espaço sub-retiniano. Na fundoscopia e na angiografia fluoresceínica, observam-se múltiplos pontos de vazamento e áreas de acúmulo de líquido que podem coalescer, resultando em descolamentos bolhosos que comprometem severamente a acuidade visual na fase aguda.
Durante a fase prodrômica e uveítica aguda, o exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) frequentemente revela pleocitose linfocítica (aumento de glóbulos brancos com predomínio de linfócitos). Esse achado é temporário e reflete a inflamação das meninges, que também contêm melanócitos. A presença de pleocitose em um paciente com uveíte bilateral e sintomas auditivos é um critério diagnóstico importante para classificar a doença como VKH 'provável' ou 'completa'.
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