Tratamento do Descolamento de Retina Exsudativo na Uveíte

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 25 anos, sexo feminino, refere redução da acuidade visual há poucos dias, precedida de febre, cefaleia e mal-estar. Ao exame, apresenta reação de câmara anterior duas cruzes, vitreíte uma cruz em quatro e descolamento da retina no polo posterior comprometendo a mácula, sem roturas em ambos os olhos. Qual o tratamento mais apropriado para o deslocamento de retina?

Alternativas

  1. A) Vitrectomia posterior com infusão de SF6 e posição de cabeça.
  2. B) Corticóide oral.
  3. C) Retinopexia pneumática.
  4. D) Introflexão escleral com explante macular.

Pérola Clínica

Descolamento seroso bilateral + sinais inflamatórios + pródromos virais → Corticoterapia sistêmica.

Resumo-Chave

O descolamento de retina não regmatogênico (exsudativo) associado a sinais de inflamação (vitreíte, reação de câmara anterior) e sintomas sistêmicos sugere etiologia inflamatória, como a Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada, exigindo tratamento clínico com corticoides.

Contexto Educacional

A Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada (VKH) é uma doença multissistêmica autoimune idiopática que afeta tecidos contendo melanócitos, como olhos, orelha interna, meninges e pele. A fase uveítica aguda é marcada por uveíte difusa bilateral e descolamentos serosos multifocais da retina. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Sugiura ou nos critérios revisados de 2001, que consideram o envolvimento ocular, neurológico e tegumentar. O manejo adequado exige a diferenciação imediata entre descolamentos regmatogênicos e exsudativos. Enquanto os primeiros são emergências cirúrgicas, os exsudativos inflamatórios respondem dramaticamente à imunossupressão. O prognóstico visual na VKH é geralmente bom se o tratamento for instituído precocemente e mantido por tempo prolongado para evitar a cronificação da inflamação uveal.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o descolamento de retina na Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada?

Na Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada (VKH), o descolamento de retina é do tipo exsudativo ou seroso, ocorrendo devido ao acúmulo de fluido sob a retina sensorial sem a presença de roturas retinianas. Clinicamente, manifesta-se no polo posterior, frequentemente de forma bilateral, e está associado a sinais de panuveíte granulomatosa, como vitreíte e reação de câmara anterior. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune contra melanócitos na úvea, o que explica a associação com sintomas sistêmicos (cefaleia, febre, meningismo) e cutâneos (vitiligo, polioze).

Por que a vitrectomia não é indicada neste caso?

A vitrectomia posterior é o tratamento de escolha para descolamentos de retina regmatogênicos (causados por roturas) ou tracionais. No caso apresentado, o descolamento é exsudativo, secundário a um processo inflamatório intraocular intenso. Como não há rotura retiniana para ser selada cirurgicamente, o tratamento deve focar na resolução da inflamação subjacente. A intervenção cirúrgica em um olho com inflamação ativa sem indicação mecânica pode exacerbar o quadro inflamatório e levar a complicações graves como a tise bulbar.

Qual a dosagem recomendada de corticoide na fase aguda da VKH?

Na fase aguda da Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada, o tratamento padrão envolve altas doses de corticosteroides sistêmicos. Geralmente, inicia-se com prednisona oral (1 a 1,5 mg/kg/dia) ou pulsoterapia com metilprednisolona intravenosa (1g/dia por 3 dias) em casos graves com ameaça visual severa. O desmame deve ser extremamente lento, muitas vezes durando de 6 a 12 meses, para prevenir recidivas e a progressão para a fase crônica (fundo em 'pôr do sol'). O uso precoce e agressivo de imunossupressores poupadores de corticoide também tem sido cada vez mais recomendado.

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