CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2015
Paciente de 40 anos de idade, sem antecedentes oculares ou sistêmicos, refere baixa visual aguda e bilateral, associada a alopecia e perda auditiva. O exame de fundo de olho e a tomografia de coerência óptica da região macular estão ilustrados nas figuras abaixo. Considerando o diagnóstico mais provável e a fase da doença evidenciada pelos dados apresentados, assinale a alternativa correta:
VKH = Uveíte bilateral + Descolamento exsudativo + Pleocitose no líquor + Sinais auditivos/cutâneos.
A Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada é uma doença multissistêmica autoimune contra melanócitos, caracterizada por uveíte difusa bilateral e envolvimento do SNC e pele.
A Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada (VKH) é uma panuveíte granulomatosa bilateral mediada por células T contra antígenos de melanócitos. É mais comum em populações pigmentadas (asiáticos, hispânicos e ameríndios). O diagnóstico é clínico, baseado no envolvimento ocular bilateral e na presença de sinais auditivos (zumbido, perda auditiva) ou neurológicos (pleocitose no LCR). Na fase aguda, o exame de fundo de olho revela hiperemia de disco óptico e descolamentos de retina exsudativos multifocais. O tratamento precoce com doses elevadas de corticosteroides sistêmicos é crucial para prevenir a progressão para a fase de convalescença e minimizar a perda visual permanente por atrofia coriorretiniana.
A pleocitose linfocitária no líquido cefalorraquidiano (LCR) é um achado clássico na fase prodrômica e uveítica aguda da Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada. Embora não seja obrigatória para o diagnóstico segundo os critérios revisados, sua presença em um paciente com uveíte difusa bilateral e descolamentos serosos reforça fortemente a suspeita clínica, indicando o envolvimento meníngeo precoce da doença autoimune contra os melanócitos.
A doença progride em quatro fases: 1) Prodrômica (sintomas gripais, cefaleia, meningismo); 2) Uveítica aguda (baixa visual súbita, descolamentos de retina exsudativos, espessamento de coroide); 3) Convalescença (despigmentação tegumentar como alopecia e vitiligo, e ocular como o fundo em 'pôr do sol'); 4) Crônica recorrente (uveíte anterior granulomatosa e complicações como catarata e glaucoma).
Diferente da Coroidopatia Serosa Central (CSC), que geralmente é unilateral e associada ao estresse/corticoides sem inflamação, a VKH apresenta inflamação de câmara anterior (células e flare), é tipicamente bilateral e responde dramaticamente à corticoterapia sistêmica. O OCT na VKH mostra múltiplos bolsões de fluido sub-retiniano e septos de fibrina, enquanto a CSC costuma ter um descolamento mais circunscrito.
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