PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020
Paciente, sexo masculino, 50 anos de idade, dá entrada no Pronto Socorro com a queixa de dispneia e tosse pouco produtiva há três meses, com piora, há três dias. Refere piora dos sintomas ao se deitar. Relata também cefaleia e náuseas. Refere tabagismo de 40 maços/ano. Ao exame físico, regular estado geral, pletora facial, estase de jugulares, Temperatura axilar: 36,5°C, FC: 78bpm, PA: 122x78mmHg, FR: 24imp; ausculta cardíaca sem alterações; ausculta respiratória com murmúrios vesiculares bem distribuídos com roncos e crépitos difusamente bilateral; abdome plano, flácido e indolor; edema dos menbros superiores +2/ +4. Indique a principal suspeita etiológica que gerou a condição clínica desse paciente.
Pletora facial + Estase jugular + Edema MMSS → Síndrome da Veia Cava Superior (SVCS).
A SVCS é uma emergência oncológica frequentemente causada por neoplasias malignas intratorácicas, como o câncer de pulmão, resultando em obstrução do fluxo sanguíneo para o átrio direito.
A Síndrome da Veia Cava Superior (SVCS) ocorre pela compressão extrínseca ou invasão direta da veia cava superior por massas mediastinais. Devido à sua parede fina e baixa pressão intravascular, a veia cava é facilmente comprimida. O quadro clínico reflete o represamento venoso na metade superior do corpo. Historicamente associada à sífilis e tuberculose, hoje a etiologia é predominantemente neoplásica. O reconhecimento rápido é crucial, pois a obstrução pode levar a edema cerebral ou laríngeo, embora a maioria dos casos permita uma investigação diagnóstica antes do tratamento definitivo.
A causa mais comum é a neoplasia maligna, representando cerca de 60-90% dos casos. O carcinoma broncogênico (especialmente o de pequenas células e o adenocarcinoma) é o principal responsável, seguido pelos linfomas não-Hodgkin. Causas benignas incluem trombose associada a cateteres venosos centrais ou marcapassos, além de mediastinite fibrosante.
O diagnóstico é eminentemente clínico, caracterizado pela tríade de edema em escravina (face, pescoço e membros superiores), pletora facial e circulação colateral torácica. Sintomas como dispneia, tosse, cefaleia e tontura (que pioram ao curvar-se para frente ou deitar) são frequentes devido ao aumento da pressão venosa cefálica.
A prioridade é a estabilização clínica, incluindo cabeceira elevada e oxigenioterapia se necessário. A investigação por imagem (TC de tórax com contraste) é fundamental para identificar a causa da obstrução. O tratamento definitivo depende da histologia do tumor, podendo envolver radioterapia, quimioterapia ou colocação de stent endovascular.
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